segunda-feira, 11 de maio de 2015

O círculo de cultura e a construção coletiva do conhecimento


No dia 30 de março de 2015, a partir das 19 h, tivemos uma aula com a professora de Conteúdo de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa II, em que participamos de um Círculo de Cultura. 
A sala foi organizada da seguinte forma um grupo fica dentro do círculo para realizar o diálogo e o outro grupo fica fora para fazer as observações e as anotações. O tema gerador foi a "mediação da leitura" (SOUZA; SERAFIM, 2009). O clima estava bem agradável e todos pareciam estar curiosos. As pessoas estavam calmas, todos opinaram, mas a maioria das questões foi respondida com a mediação da professora. A mediação da professora foi fundamental para entendemos mais sobre o assunto. Segundo Freitas (2009, p. 65), todo professor tem a grande missão de levar o aluno a conquistar “autonomia nas ações de ler e escrever”.
A intenção da atividade proposta era aprender e compreender sobre alfabetização e letramento, baseando-nos nas teorias de Paulo Freire (1987), compreendendo seus princípios pedagógicos.
Comparamos nossas vivências com a atividade proposta, discutimos principalmente como eram as práticas escolares de leitura, e como são na atualidade. Antigamente, quase todos da sala só faziam leitura por meio de cartilhas, e hoje em dia, com a diversidade de livros que vêm para as escolas e creches, é raro ver os livros se estragando nas prateleiras das escolas. No entanto, alguns educadores não dão a mínima importância para o ato da leitura e de formar cidadãos leitores. 
As opiniões eram quase as mesmas, até porque todas vivenciam os mesmos problemas no seu dia-a dia . Com base na leitura do texto e na observação da discussão no Círculo de Cultura, pode-se concluir que a leitura é um direito da criança, que a escola é o agente responsável pela inserção da criança no mundo da leitura. Atividades com diferentes gêneros textuais e produção de textos são indispensáveis para ampliar o repertório de palavras da criança, e devem fazer parte da rotina escolar, desde a educação infantil. Para Freitas (2009) o mundo da leitura e da escrita exige que o professor, como mediador, possibilite aos alunos, no processo de ensino e aprendizagem, a leitura, o diálogo, as atividades criativas de problematização, a reescrita de textos, as adaptações às condições da escola, a observação da reação do aluno com as dinâmicas, como mediação na construção do conhecimento.
Considero que o círculo da cultura foi muito produtivo e todos os princípios freireanos estiveram presentes durante a atividade: círculo de investigação; círculo de cultura; tema gerador (leitura); diálogo; leitura de mundo; tematização e problematização (por meio de perguntas). 
Esta é uma atividade que pode ser facilmente inserida na rotina escolar. Ela faz com que o educando sinta-se parte do processo de construção do conhecimento, pois exige ação e reflexão.
Segundo Paulo Freire (1987), com o círculo de cultura, que conhecemos como "a roda", a criança, na educação infantil, se liberta das cadeiras enfileiradas e passa a participar da roda de conversa. Uma educação libertadora, em que a criança começa a ter voz, expor seus sentimentos e trocar experiências de cultura. Também abandona a leitura das cartilhas, em que tínhamos um ensino sistematizado e rígido, e passamos a ter um aprendizado de leitura de mundo, segundo a qual tudo que a criança sabe é relevante para sua aprendizagem.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Rosangela Aparecida Bispo (7º semestre Pedagogia PARFOR)

O círculo do conhecimento

O Círculo da Cultura foi realizado aos trinta dias do mês de maio do ano de 2015, pela professora Rosana e nós alunas do sétimo semestre de Pedagogia Parfor. 
O Círculo de Cultura é uma proposta Freireana que tem por objetivo discutir um tema entre os participantes, em que existe uma troca de conhecimentos e debates sobre um determinado assunto, de acordo com autores e nossos conhecimentos enciclopédicos.
Freire (1989) defende que “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”, o sujeito faz a leitura de mundo ao seu redor, e a partir dos conhecimentos adquiridos por meio da leitura de mundo é que a leitura da palavra ganhará sentido para ele.
O tema gerador do nosso Círculo de Cultura foi "leitura" e teve como base para a discussão o artigo: A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras (SOUZA; SERAFIM, 2009). A professora pediu que, após a leitura individual do texto, elaborássemos questões para serem levantadas durante a atividade.
No início do nosso Círculo de Cultura, me senti um pouco receosa por nunca ter participado de uma atividade como essa, a câmera que nos filmou também me deixou inibida. Mas a classe estava tranquila e logo todos estavam participando desse momento dialógico. 

Por meio das minhas observações e anotações feitas durante a atividade, pude registrar que houve relatos de colegas de classe sobre as dificuldades encontradas no seu cotidiano em relação a como precisa ser realizada a leitura na Educação infantil.
Freire (1987) nos diz que a interação entre o aluno e o professor é importante, e não deve ser rompida. O professor precisa ser um facilitador de aprendizagem, fazendo interferências quando preciso, mas não anulando os conhecimentos que o aluno tem e tampouco impedindo que ele desenvolva a sua criatividade.
No nosso Círculo de Cultura, também foi levantada a questão pela nossa companheira de sala Rosa, sobre a falta de comportamento leitor, muitas vezes pelos próprios professores, o que torna o ensino e aprendizagem da leitura algo monótono e desmotivador para nossos alunos.
Enquanto professores, devemos ser exemplos para nossos alunos. Ao realizarmos os momentos de leituras com nossos alunos, é importante apresentar a eles o autor e ilustrador, essas atividades pré-leitoras facilitam a aprendizagem e enriquecem o conhecimento dos alunos; bem como, durante a leitura, envolver a participação dos alunos, fazendo questões sobre o que estão compreendendo, ajuda-os a realizar a leitura compreensiva. Esses procedimentos guiam o raciocínio e a atenção do aluno, caracterizando-se como a "mediação pedagógica da leitura" de que nos falam Souza e Serafim (2009).
O papel do professor mediador é ser um apoio para o aluno. O aluno se tornará um leitor competente à medida em que forem trabalhadas com ele maneiras de se posicionar diante da leitura. A leitura não deve ser feita em um momento qualquer sem contextualidade, só para “tapar buracos” na rotina escolar, mas precisará ser uma atividade preparada, como explicam as autoras quando utilizam um "protocolo de leitura", em que percebemos claramente as atividades de pré, durante e pós leitura planejadas previamente e desenvolvidas com o alunos.
Uma de nossas colegas também colocou em nosso debate, se a falta de padronização do ensino interfere na alfabetização. Foram discutidos e debatidos alguns pontos de vistas e opiniões, pois existe um conflito entre essa questão curricular.
A intertextualidade é de extrema importância na formação da criança leitora ela amplia o vocabulário, pois segundo MacGuinness (2006), quanto mais se lê mais se entra em contato com palavras desconhecidas.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, o ensino da leitura e da escrita pode ocorrer simultaneamente, e não necessariamente com o domínio das famílias silábicas. A escola deve fornecer aos seus alunos textos que circulam socialmente.
Finalizando minhas observações feitas nesta atividade, considerei que, embora minha timidez não permita que eu tenha tanta desenvoltura para me expressar como as demais colegas, foi uma atividade enriquecedora. Mesmo estando (no primeiro momento) fora da roda, não me senti excluída e por fora dos assuntos discutidos, pude observar os comportamentos dos colegas, notei uma grande participação da sala e também esclarecer algumas dúvidas que, coincidentemente, algumas colegas questionaram. 

Concluo que o Círculo de Cultura, conforme Freire (1987) é um momento riquíssimo, no qual podemos trocar conhecimentos, e aprendemos e ensinamos coletivamente.

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Elza Helena Costa (7° semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de cultura 1: o poder da palavra adquirindo conhecimentos


No dia 30 de março, no "círculo de cultura e investigação" proposto pela professora Rosana Pontes, com o tema gerador "leitura", foi problematizado o artigo: A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras (SOUZA; SERAFIM, 2009).
Durante a realização do "circulo de cultura" (FREIRE, 1987), aparentemente, todas as participantes pareciam calmas, e assim foi iniciado o nosso círculo da cultura. A professora foi de suma importância, nesse nosso debate, pois como mediadora facilitou muito a discussão. Começamos as perguntas na p.19. A aluna Regina perguntou sobre a leitura no currículo na Educação Infantil, se existem ou não diretrizes. O que ficou claro para mim é que, além do que indicam os Referenciais Curriculares da Educação Infantil, também vai depender da rede municipal estabelecer diretrizes para os conteúdos relacionados à leitura.
Houve muitos relatos de alunas sobre suas experiências vividas em sala de aula. O círculo de cultura foi bem caloroso, a palavra foi respeitada, cada um falou na sua vez, foi indagado por uma aluna o que eram os métodos analíticos. E a professora explicou que o método analítico é aquele que Paulo Freire defendia, em que o professor precisa valorizar o diálogo, a problematização, o debate, fazendo a análise do texto lido, envolvendo o contexto, isto é, a leitura de mundo. Então, é o todo pela parte, já os sintéticos começam dos pequenos detalhes (letras, sílabas, palavras) para só depois realizar a leitura compreensiva do texto.
Com estas explicações da professora, consegui refletir como é nossa prática em sala de aula, o nosso cotidiano, a leitura está presente em sala de aula, por meio de livros que todo dia permitimos que as crianças manuseiem, ou mesmo quando faço a famosa roda, e lhes conto uma história, praticando assim também um círculo de cultura.
É importante o olhar atento do professor, para o maior desenvolvimento do aluno, o incentivo à leitura dentro da sala de aula e os avanços que o aluno conquista com todas as ferramentas que lhe são disponibilizadas.
Segundo Paulo Freire (1987, p. 24), “o medo da liberdade, de que necessariamente não tem consciência o seu portador, o faz ver o que não existe". Portanto, é preciso desenvolvermos a sensibilidade para compreendermos que a criança ou adulto tem medo do novo, dos conteúdos escritos que lhe são expostos no dia a dia da escola, mas cabe ao professor mediador apresenta-lhes de forma prazerosa esse mundo que o trará a uma realidade totalmente diferente daquela que ele teria se não conhecesse a leitura.
A professora Rosana Pontes iniciou o círculo com a explicação do que é o círculo de cultura e um círculo de investigação. Logo após, ela continuou a explicação destacando que o diálogo, a que se refere Freire (1987), é também o diálogo com o conhecimento. Assim, iniciamos a dialogar em busca de construirmos coletivamente um novo conhecimento.
Durante o nosso debate, cada um trouxe a sua leitura de mundo, por isso houve muitos relatos de alunas. Na página 26, foi discutido se era bom ter apostilas nas escolas, a professora explicou que, conforme Souza e Sarafim (2009), se por um lado era bom trabalhar com apostila, em virtude de uma sistematização e padronização do que ensinar, por outro lado não era, pelo fato do professor não ter autonomia. E disse que, particularmente, ela não era a favor da apostila.
Já a aluna Edna, que trabalha em Cubatão, relatou sua vivência em creche dizendo, muitas vezes, sentir falta de um conteúdo normatizado, pois assim teria como trabalhar junto com todas as outras professoras, e não cada uma olhando só para si.
A atividade com o “Círculo de Cultura” fortaleceu para nós a relação entre prática/teoria e a compreensão de que ambas precisam andar juntas, confirmando o que defende Freire, 2005, p. 91: "o diálogo é este encontro dos homens, mediatizados pelo mundo, para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu”.
Entretanto, Freire (1987) também expõe as diversas dificuldades para que o diálogo aconteça entre as pessoas, caracterizando alguns motivos que levam a essa falta de diálogo, como a insegurança, medo de superação, não saber ouvir, e várias outras. 
Para o autor, é preciso haver confiança entre os sujeitos, pois se não há confiança, não pode existir um diálogo verdadeiro. Freire (1987), insistentemente, reflete sobre a não absoluta sabedoria e não absoluta ignorância. Pois sempre se há algo a mais para ser aprendido, e sempre se tem algum conhecimento, independente da área que é baseado esse aprendizado, até porque ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso, o texto discutido (SOUZA; SERAFIM, 2009), no nosso círculo de cultura, foi totalmente apropriado para nossos estudos sobre didática do ensina da língua portuguesa, com destaque para a Educação Infantil, enfatizando já no título, com base em Paulo Freire, "onde a leitura de mundo precede a da palavra"
O tema estudado, a leitura, veio bem ao encontro dessa abordagem freiriana, de mediação como forma de ajudar a formação de leitores. Como mediar sem haver diálogo, sem a escuta do outro, sem ouvir a história de vida do aluno?
E assim finalizo meu trabalho dizendo que achei muito produtivo, pois a cada dia um novo aprender, e, muitas vezes, reaprender. Este foi mais um desafio que a professora Rosana Pontes nos propôs, rumo à descoberta desse nosso mundo chamado "Pedagogia''.

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Maria Rosimeire de Almeida Ribeiro 
(7º semestre Pedagogia PARFOR)

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Princípios da pedagogia freireana nas nossas aulas



Em março, iniciamos em nossa sala o trabalho didático com o "círculo de cultura" (FREIRE, 1987), com orientação da professora Rosana Pontes.
Esse encontro possibilitou uma nova forma de se pensar sobre estratégias de leituras e a compreensão, relevância e importância que se precisa dar ao conhecimento de mundo que cada um traz consigo. Nossa participação foi tranquila e proveitosa, algumas colegas contribuíram com perguntas e respostas pertinentes ao tema abordado. Para iniciarmos esse nosso encontro, tivemos orientações e fizemos leituras de textos como os de Freitas (2009), Paulo Freire (1987; 1989), Souza e Serafim (2009).
A professora Rosana deu início aos nossos círculos, pontuando alguns princípios freireanos que são:
Círculo de investigação: é a busca investigativa em parceria do professor com os alunos para selecionar temas e palavras centrais que são significativas na vida dos alunos.
Círculo de cultura: é o momento do diálogo entre os participantes, em que ocorrem trocas de conhecimentos com a mediação do professor, levando a todos, de forma coletiva, a atingir seu aprendizado.
Palavra geradora: é quando o professor faz um levantamento para descobrir palavras que fazem parte do conhecimento de mundo dos alunos. Essas palavras serão utilizadas para gerar, ou seja, para iniciar o processo da alfabetização.
Diálogo: é o momento em que o professor e aluno podem expressar suas opiniões, pensamentos, vivências e experiências de mundo, conhecimentos, enfim dialogar em um processo de ensino e aprendizagem, em que ocorrem trocas de aprendizado, afinal ninguém é detentor do saber.
Leitura de mundo: é o ato do indivíduo ler/conhecer o mundo que está à sua volta, conseguindo se orientar no mundo, mesmo sem ser alfabetizado. Ler o mundo, exemplo: identificar rótulos de embalagens, placas, sinalizações, fazer cálculos matemáticos, enfim compreender o mundo em que está inserido.
Tematização: processo em que os alunos compreendem os significados dos temas que estão sendo estudados, tomando consciência para comparar, fazer relações com o mundo em que vivem.
Problematização: aluno e professor buscam transformar o contexto em que estão inseridos, por meio da problematização de assuntos e tentar chegar a uma síntese.
Para o nosso encontro, a professora, que foi nossa mediadora, solicitou a leitura dos textos e a elaboração de 5 perguntas para que pudéssemos tirar nossas dúvidas com o grupo. A pergunta feita por mim diz respeito ao texto de Souza e Serafim (2009), sobre como se dá o processo de aprendizagem com crianças da Educação Infantil, se podemos introduzir, mesmo com pouca idade, textos mais complexos e com palavras mais difíceis ou que não fazem parte do vocabulário das crianças ou até mesmo se ao apresentarmos um livro para essa mesma criança, se ela é capaz de entender quando falamos o nome do autor e do ilustrador. 

A professora mediou nesse momento, explicando que é possível e devemos sim, desde muito cedo, apresentar diferentes tipos de leituras, desde que sejam adequadas à faixa etária da criança. Essa explicação vem ao encontro do que as autoras confirmam em seus textos, quando relatam que a compreensão de um texto não ocorre só no momento em que a criança aprende a ler e a escrever, como pensam muitos. Na verdade, o início da atividade leitora da criança deve começar bem antes de ela aprender de modo mais sistemático a língua escrita, uma vez que, segundo Soares (2003), a leitura é um conjunto de habilidades, conhecimentos e comportamentos que forma um continuum complexo.
Através desses questionamentos e reflexões, pude aplicar na prática, para um melhor entendimento, leituras com textos diferenciados para meus alunos de creche. Percebi que cada um da sua maneira demonstrou entender, e muitos até tentaram repetir palavras diferentes. Também costumamos dramatizar histórias conhecidas por eles, usando vocabulários que tanto fazem parte da sua rotina como também palavras diferentes das usuais. E, a partir das ideias colocadas no círculo, passei a apresentar para as crianças o nome de cada autor e seus respectivos ilustradores.
A leitura nos trouxe alguns questionamentos e também muitos esclarecimentos quanto à forma como devemos olhar o modo como cada um aprende e seus conhecimentos adquiridos com o meio em que cada indivíduo está inserido.
Com a leitura e os conhecimentos adquiridos, por meio das leituras e trocas de ideias com todos que participaram dos círculos de cultura, utilizando os princípios pedagógicos de Freire (1987), conseguimos visualizar e atingir os objetivos que o círculo de cultura almeja, qual sejam a troca de saberes, vivências, leituras de mundo, oportunizando conhecer e aprender uns com os outros.

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. 

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Edna de Araújo Nascimento Cirqueira
(7º semestre Pedagogia PARFOR)

CÍRCULO DE CULTURA E INVESTIGAÇÃO: A importância da Mediação da leitura


No dia 13 de abril, nos círculos de cultura e de investigação propostos pela professora Rosana Pontes, com o tema gerador “leitura”, foi problematizado o artigo “Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA” (FREITAS, 2009).
Durante a realização do evento, todos estavam aparentemente calmos, mas, a princípio, poucos falaram ou participaram do diálogo. Houve muitos relatos de experiências que as alunas vivenciaram em seu contexto diário ou algumas de situações que viveram e, de certa forma, chamaram a sua atenção. A palavra foi respeitada, e cada indivíduo falou em sua vez, houve também um diálogo entre o círculo de cultura e a classe em geral e que foi muito importante para um maior entendimento do assunto, o diálogo se tornou rico e prazeroso e, assim, todo universo do professor que ali estava veio para acrescentar a discussão.
O conteúdo foi abordado de forma clara pelas alunas e professora que, naquele momento, era a mediadora nas explicações, o que facilitou muito o diálogo e a compreensão das perguntas e respostas que, além de boas eram para refletir a prática dentro da sala de aula, e procurar soluções para que essa prática seja valiosa. A leitura é uma prática que está presente no cotidiano das salas de aula, seja por meio de quadros, alfabetos expostos ou, principalmente, dos livros que todos os dias estão sob domínio do aluno.
A professora Rosana Pontes iniciou o círculo com a explicação do que é o círculo de cultura e um círculo de investigação, de acordo com Paulo Freire (1987). Logo após, ela continuou a explicação destacando que o diálogo, a que se refere Freire (1987), é também o diálogo com o conhecimento. Assim, iniciamos a dialogar em busca de construirmos coletivamente um novo conhecimento.
Durante o diálogo, cada um trouxe a sua leitura de mundo, por isso houve muitos relatos das alunas. Nesse processo, o diálogo crítico e libertador para a conquista da autonomia foi um dos princípios freireanos utilizados.
De acordo com Paulo Freire (1987, p. 68 )”Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que ao ser educado também educa”.
Aprender juntamente com o aluno é importante, bem como ter a certeza de que o aluno traz na sua história uma bagagem de mundo que somente com o tempo poderíamos entender e, com isso, planejar uma melhor forma de guiá-lo por esse longo caminho.
O artigo estudado (FREITAS, 2009) trata da importância da mediação pedagógica da leitura pelo professor, e identifica quais as dificuldades encontradas no caminho e qual foi o facilitador para o aprendizado da aluna selecionada para a pesquisa apresentada. É importante ressaltar que o aluno é um indivíduo que necessita de um olhar afetuoso e atento desde seu início na escolarização, já que seu mundo e cultura não são iguais aos de todos à sua volta.
A pesquisa foi longitudinal, pois foi feita por um longo tempo (8 meses), assim a pesquisadora coletou dados com convicção e propriedade de fatos para expor em seu relatório. 
É importante o olhar atento do professor para o maior desenvolvimento do aluno, o incentivo a leitura dentro de sala de aula e os avanços que o aluno conquista com todas as ferramentas que lhe são disponibilizadas.
A autora ressaltou os avanços da sociolinguística na perspectiva social. Segundo Freitas (2009), todo professor tem a responsabilidade de auxiliar o aluno a ter autonomia para ler, escrever e falar. Por meio do artigo, foi observada a matriz de referência da língua portuguesa da Prova Brasil e seus descritores: o procedimento de leitura, que é a leitura e compreensão; se a criança lê e compreende o que está lendo; o suporte dos gêneros textuais, se era jornal, revista, livro; a relação entre os textos, a intertextualidade, ou seja, o texto que dialoga com outro. São esses descritores que o professor precisa observar para traçar os objetivos a serem alcançados para o desenvolvimento das habilidades leitoras dos alunos.
Também foi discutido sobre as ações do Governo: a escola tem o dever de proporcionar um ambiente favorável para que o aluno tenha garantido seu direito de acessibilidade ao livro e, com a leitura, obtenha maior cidadania. Portanto, de acordo com essa diretriz, o aprendizado é um direito do aluno e tem que estar incluso nos documentos e planejamento. O aluno tem direito a aprender a ler e escrever em outras disciplinas também.
Uma das perguntas feitas no círculo foi: a técnica usada na pesquisa seria a mesma para a filha do jardineiro e para a filha do médico? A resposta veio de imediato por uma aluna, com a ajuda da professora, que complementou. Sim, a pesquisa e técnica seriam as mesmas, porém a observação desse aluno seria diferente pela visão de mundo que ele carrega em si.
Outra pergunta feita foi: Que conceito a autora usa nessa mediação? A resposta foi o “apoio”, a autora usa também a palavra “andaime”, ou seja, o professor é um apoio ou um andaime para o aluno subir de nível.
A mediação do professor é essencial, a leitura mediada abre portas para outros universos que o aluno ainda não conhece, e, dessa forma, descortina o que até então era desconhecido.
De acordo com Vygotsky (2010, p.24), “a relação do homem com o mundo não é relação direta, mas uma relação mediada, sendo o sistema simbólico os elementos intermediários entre o sujeito e o mundo”. Logo após, entramos na teoria de Vygotsky sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal, que é a mediação do professor, aproximando a criança do outro, auxiliando-a a descobrir o desconhecido.
Discutimos, então, o conceito de leitura e a autora afirma: ler é atribuir sentido ao texto, decodificando a palavra. Decodificar a palavra é o primeiro momento, é a etapa inicial para a compreensão da leitura, faz parte do início da leitura. É preciso dar o devido valor à decodificação para que o aluno prossiga da decodificação à leitura da palavra. A princípio, a leitura é que leva o vocabulário e, no decorrer do tempo, o vocabulário leva à leitura. Essa etapa precisa ser respeitada e entendida, não somos seres iguais e com isso alguns aprendem com mais facilidade, e outros com dificuldades, assim é em toda a etapa da escolarização até no ensino superior.
Segundo Freitas (2009), o uso do dicionário, muitas vezes, é bom, mas nem sempre a leitura pode ser auxiliada pelo dicionário, porém existem algumas palavras que, no contexto da explicação, se tornam mais complexas, o que confunde o aluno. A mediação precisa estar presente e atenta a essas dificuldades, o aluno precisa de auxílio em todo o período da escolarização.
De acordo com a autora, com o tempo e com o incentivo do educador mediador, o aluno já estará lendo com mais fluência e rapidez, terá o conhecimento de outros gêneros textuais. O importante é que o mediador esteja sempre disposto a auxiliar os alunos nas suas dificuldades, seja na demora da codificação ou na apresentação do texto ao aluno. É imprescindível o trabalho com gêneros textuais, desde o início da escolarização e alfabetização.
A autora remete-se a Paulo Freire, ao defender que conhecer o mundo do aluno também é importante, já que ele aprende com mais facilidade quando seu universo envolve o contexto leitor, como foi citado. Enfim, a observação é a melhor forma de ajudar o aluno a desenvolver seu lado leitor.
Segundo Paulo Freire (1987, p.24): “O medo da liberdade, de que necessariamente não tem consciência o seu portador, o faz ver o que não existe”. E a criança ou adulto tem medo do novo, das apresentações que lhe são expostas no dia a dia da escola, mas cabe ao professor mediador apresentar-lhe, de forma prazerosa, esse mundo que o trará a uma realidade totalmente inversa daquela que ele teria se não a conhecesse.
De acordo com Paulo Freire (1996, p.27), “A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito”. Dessa forma, o círculo de cultura que vivenciamos foi uma integração com o mundo que vivemos todos os dias em sala de aula.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão leitora. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BORTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 29 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996

KOLL, Marta de Oliveira. Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio histórico. São Paulo: Scipione, 2010.

Fernanda Dal’Mas Sales da Silva 
(7º semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de cultura 2: a importância da mediação pedagógica da leitura


Reflexão sobre a atividade “círculo de cultura”, realizada em 13 de abril de 2015, na aula de Conteúdo e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, em que foi problematizado o texto da autora Vera Aparecida de Lucas Freitas (2009), Mediação: Estratégia Facilitadora da Compreensão Leitora. A atividade aconteceu na Universidade Católica de Santos, com a turma do 7º semestre do curso de Pedagogia.
A aula foi iniciada com dois círculos formados, 
seguindo os princípios pedagógicos freireanos. O primeiro círculo foi o da “cultura”, onde os alunos e professora dialogaram, tiraram dúvidas, expuseram suas ideias, de modo que todos participaram compartilhando seus conhecimentos de mundo. Dessa forma, o “professor e o aluno se tornam sujeitos de um processo em que crescem juntos” (FREIRE, 1987, p. 40). O segundo círculo, de acordo com Paulo Freire (1987), foi o da “investigação”, no qual os participantes observaram e registraram as discussões dos integrantes no círculo da “cultura”. Este modelo didático que favorece o diálogo e a reflexão coletiva se difere da educação “bancária” como nos mostra Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido: “Em lugar de comunicar-se, o educador faz comunicados e depósitos, que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e repetem” (FREIRE, 1987, p. 33).
A discussão aconteceu em torno de uma pesquisa (FREITAS, 2009) sobre o desempenho da leitura de uma aluna do 5° ano do ensino fundamental de uma escola pública, situada no Distrito Federal, com o intuito de acompanhar o desenvolvimento das habilidades e estratégias de leitura para que, por meio da mediação pedagógica, essas habilidades fossem ampliadas.
No início da atividade, surgiram diversas perguntas sobre a importância da leitura, desde o início da escolaridade dos alunos, para que estes possam evoluir em seus estudos nos anos posteriores. Foram sendo levantadas questões sobre a leitura e o seu valor cultural, para que os alunos ampliem seu vocabulário.
Em minha percepção, todos os participantes, por meio do diálogo, procuraram expor suas ideias, suas dúvidas, relatando experiências profissionais. Nas palavras de Paulo Freire, “na medida em que os homens simultaneamente vão refletindo sobre si e o mundo, vão aumentando o mundo de sua percepção” (FREIRE, 1987, p. 41). No entanto, em determinado momento, devido a conversas paralelas a professora mediadora, Rosana Pontes, precisou intervir, voltando ao tema da atividade.
Sobre o texto problematizado, foi possível compreender que a mediação pedagógica da leitura, segundo Freitas (2009), apoia o leitor, auxiliando-o a mobilizar conhecimentos anteriores para desenvolver as habilidades específicas para aquela tarefa. Por fim, a atividade aqui delineada foi uma importante ferramenta na conscientização da importância de proporcionar a leitura aos alunos, desde cedo, a fim de que se tornem indivíduos críticos e seres pensantes.

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Claudenice Gomes (7º semestre Pedagogia PARFOR)

CÍRCULO DE INVESTIGAÇÃO 2: “Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA”


Por meio da atividade proposta na aula de C.M.E.L.P. II, pela professora Rosana Pontes, foi possível uma melhor compreensão sobre os princípios da pedagogia freireana, como também maior apropriação do tema discutido a partir do texto “Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA” (FREITAS, 2009).
Acredito que o esforço da professora ao planejar essa atividade foi contemplado, porque a atividade se desdobra em três partes, exigindo diferentes ações dos alunos: a leitura do texto com compreensão; discussão por meio do diálogo; e sintetização reflexiva sobre as avaliações de seu resultado. Conceituei como excelente tal estratégia.
Quanto à leitura do texto, observei que nem todos os envolvidos tinham a mesma propriedade na hora de discuti-lo, talvez por falta de compreensão, timidez, dificuldade de se expressar etc. Contudo, não avalio esse fato como negativo, considerando a diversidade da nossa sala e, ainda comparando à teoria de Paulo Freire (1987), a qual defende o conhecimento de cada um e seu direito de construí-lo e reconstruí-lo. Sendo assim, a aprendizagem aconteceu, senão pela boca, por meio dos ouvidos, porque dialogar não é só saber falar, mas sobretudo saber ouvir. E o mais importante, nesse contexto, é que todos tiveram a mesma oportunidade.
No tocante ao desenvolvimento da atividade, percebi que o tema gerador era e é de interesse de todos os presentes, já que a mediação do professor é considerada fundamental no âmbito educacional, incluindo aqui os processos e mecanismos de leitura que, em nossa realidade escolar, são pouco valorizados. Percebemos a importância da mediação da leitura pelo professor além das nossas vivências pessoais, por meio da discussão do texto que revela, na pesquisa realizada, o desempenho de uma aluna em leitura. Com isso, o grupo pôde analisar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes quando o assunto é leitura compreensiva, evidenciando que tal habilidade exige muito mais do que saber ler e escrever. Necessita que se saiba compreender o que está sendo lido e inferir o que está nas entrelinhas, o leitor precisa de um repertório experimentado para se posicionar e associá-lo ao ensinamento que está sendo construído. Sendo assim, a tematização e a problematização a que Paulo Freire se reporta em sua teoria foi praticada pela classe, tendo em vista que o tema escolhido é do interesse de todos e as dificuldades para praticar a leitura, de igual modo, trazem à tona as defasagens no processo escolar.
No que tange aos princípios da teoria freireana, sua importância e viabilidade na educação básica, depende do posicionamento do professor em relação ao outro, por isso considero dois aspectos relevantes sobre este profissional: quando o professor acredita que faz parte do mundo e quando o professor acha que o mundo não pode existir sem ele.
A primeira visão leva o profissional a buscar o melhor resultado do aluno, mesmo que lhe exija maior empenho, porque ele é solidário e afetuoso, sabe que o aluno necessita daquela peça para completar o quebra-cabeça que é viver com autonomia em nossa sociedade; ele acredita que o aluno tem potencial para atingir o objetivo e medeia as ações para que ele se aproprie dos conhecimentos. Por isso, ele ouve, discute e soluciona os problemas.
Em contrapartida, o profissional “deus” ignora a importância de seu papel e finge não precisar atuar com seu aluno, descartando toda e qualquer possibilidade de promoção à educação com argumentos em que o foco principal de sua atuação nunca é no aluno, mas na gestão escolar de qual faz parte, no programa do governo que é sempre inviável, na falta de estrutura da escola, no baixo nível de estudo das famílias da comunidade etc.
Enfim, utilizar os princípios teorizados por Paulo Freire é dar significado para a existência do aluno e, em seguida, trazer sentido para a busca dos conhecimentos propostos pela escola, incentivando-o em todos os momentos de aprendizagem para a conquista de uma formação cidadã condizente com a nossa realidade social. Quanto a sua viabilidade, acredito que dependa do professor, porque as estratégias que dão melhores resultados requerem muito trabalho desse profissional. Ele precisará usar da reflexão desde o planejamento até a conclusão de seu fazer pedagógico. Acredito ser um ótimo desafio para os que veem sua profissão como transformadora e capaz de garantir a autonomia tão almejada.
Para finalizar, quero relatar minha opinião sobre o uso didático dos princípios freireanos. Acredito que podem ser adotados de forma bem sucedida em todas as esferas da educação, tomando como exemplo esta atividade, desde a sua escolha, percorrendo por seu planejamento, tomando corpo em sua execução, até sua avaliação. Vimos aqui que, por meio da mediação, todo ensinamento tornou-se conhecimento e o uso das estratégias de Paulo Freire trouxe qualidade para esta aprendizagem.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Edina de Oliveira (7º semestre Pedagogia PARFOR)