quarta-feira, 13 de maio de 2015

Círculo de cultura 2: comunhão dos sujeitos no diálogo

Fizemos um círculo de cultura (FREIRE, 1987), no dia 13 de abril na Universidade Católica de Santos, na sala do curso de Pedagogia do 7º semestre, cujo tema gerador foi "mediação pedagógica da leitura", por meio da problematização do texto: "Mediação: estratégia facilitadora da compreensão leitora", da autora Vera Lucia de Lucas Freitas (2009), em que a professora Rosana foi nossa mediadora.
Para mim, o segundo círculo de cultura foi melhor do que o primeiro, pois no primeiro, principalmente eu, que estava no círculo do diálogo, estava muito nervosa e pouco interagi com o grupo. No entanto, a segunda vez, em que fiz a parte investigativa, me permitiu que eu observasse bem essa prática usada na pedagogia freireana.
A dinâmica foi desenvolvida de modo que as alunas vivenciavam o diálogo, e no círculo de investigação, as alunas estavam encarregadas de fazer as anotações para depois poder reproduzir um registro reflexivo como este.
Pude observar que nesse dia o clima estava agradável, apesar de haver conversas paralelas, umas querendo falar junto com as outras. Havia algumas alunas que estavam inibidas, assim como eu, permitindo que outras alunas se destacassem sempre respondendo as perguntas. Como sempre, a professora Rosana foi fundamental, pois algumas questões foram respondidas com a mediação dela.
O texto problematizado aborda uma pesquisa de leitura com uma aluna do 5º ano. Essa pesquisa foi observada durante 8 meses, tinha o objetivo de mostrar que a mediação pedagógica pode ser muito valiosa para a realização da leitura e a compreensão do texto.
Com base na leitura e observação no círculo de cultura, pudemos concluir que a leitura é direito da criança. A produção de texto com diferentes gêneros textuais é primordial para ampliar o repertório da criança: “A leitura de vários gêneros textuais tem sido vista como um dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento do vocabulário. Nessa perspectiva, pode-se pensar que quanto mais se lê mais se entra em contato com palavras desconhecidas pelo nosso dicionário mental”. (FREITAS, 2009, p.75)
O círculo de cultura é uma atividade que nos proporciona conhecimentos, por meio do diálogo, de observação e de interação em que se faz com o grupo. Essa dinâmica pode ser inserida na rotina escolar, pois faz com que o educador faça parte dessa construção. Conforme enfatiza Freire, “o professor é o ser, que não mais educa, mas aquele que aprende no processo de aprendizagem. Ele é educado em diálogo com o educando, porque ambos se tornam sujeitos do mesmo processo”. ( FREIRE, 1987, p. 45)

Referências Bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Fátima Florindo da Silva (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de cultura II: uma pedagogia marcada pelo diálogo


Nós alunas do 7º semestre do curso de pedagogia PARFOR da Universidade Católica de Santos, juntamente com a Professora Rosana Pontes, realizamos no dia 13 de abril de 2015 o II Círculo de Cultura (FREIRE, 1987). Tendo como tema gerador "a mediação pedagógica da leitura", com base na problematização do texto: "Mediação: Estratégia facilitadora da compreensão leitora" (FREITAS, 2009). Foi dado início às 19:30 e término às 20:35.
As alunas aparentemente estavam calmas, algumas mais centradas e mais participativas que as outras, mas todas respeitaram seu tempo de perguntas e respostas, narrando fatos em seus exemplos de experiências práticas. Houve grande participação do grupo de investigação em formular perguntas e participar das discussões.
Segundo Vygotsky (apud FREITAS, 2009, p. 67), “as interações entre os indivíduos [...] e com o objeto do conhecimento desempenham um papel fundamental no seu desenvolvimento cognitivo, e o conhecimento se dá em um processo de transferência do social para o individual”. Ainda, conforme explica Freitas (2009), com base em Vygotsky, o discurso desempenha um papel central na construção do conhecimento.
O texto utilizado como objeto de estudo para este círculo de cultura nos mostra o relato de uma pesquisa com uma aluna do 5º ano do ensino fundamental, em que o objetivo principal é mostrar a importância de um mediador como facilitador da compreensão leitora.
Durante toda a realização do círculo de cultura, houve a mediação de nossa professora para que o tema central não fosse disperso. Observamos, no círculo de investigação, o quanto a mediação é importante no processo de aprendizado da leitura e o quanto o "trabalhar em par" beneficia o aluno. Foi nos dado um exemplo claro disso, quando a professora mencionou o fato de sua sobrinha de 9 anos de idade ter melhorado seu hábito leitor, tendo como mediadora sua amiga. Desta forma,  os conceitos utilizados na mediação, em que o professor, ou neste caso a amiga,  serviu de apoio, mediando assim o desenvolvimento da leitura e exercitando a compreensão do leitor principiante que passará a leitor ativo. (FREITAS, 2009, p. 68)
Para uma boa compreensão, o texto deve ser de acordo com o mundo do aluno, pois quando o aluno contextualiza a leitura, ele a compreende melhor. Segundo Freitas (2009), ler é produzir sentido em um processo de interação autor-leitor-texto-mundo.
Freire afirma em seu livro "A importância do ato de ler" (1989) que a primeira leitura é a que circunda a criança no seu dia a dia, ou seja, o mundo no qual está inserida, já que a leitura do mundo precede a leitura da palavra.
Ao realizarmos o círculo de cultura e investigação, conforme Freire (1987), foi notável uma ação libertadora de conhecimentos durante a troca de experiências: “o pensar do educador só ganha autenticidade na autenticidade do pensar dos educandos mediatizados ambos pela realidade” (FREIRE, 1987,p.62), ou seja, uma pedagogia marcada pelo diálogo.


Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987. 

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Kelen de Jesus Silva Dutra (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de cultura na Educação Infantil?


No dia 27 de março de 2015, a professora iniciou a preparação de um conteúdo programático, em que seria organizado em “círculo de cultura” (FREIRE, 1987), como forma de problematização do texto "A mediação da leitura na Educação Infantil: onde a Leitura de Mundo procede a das palavras" (SOUZA; SERAFIM, 2009). A atividade foi inspirada nos princípios da pedagogia freireana: círculo de cultura, tema gerador, diálogo, problematização.
O texto em questão a ser discutido faz um questionamento importantíssimo em torno da criança e de suas vivências e conhecimento de mundo, e apresenta a mediação do professor na tarefa decisiva, quando o enfoque é a leitura na Educação Infantil, e como essa mediação é trabalhada na prática pedagógica em sala de aula.
A professora agraciou a todos da classe com a prática da liberdade dialógica sobre o conteúdo estudado, abrindo caminhos para as inquietações em torno do tema gerador. Até o primeiro momento, não tinha ouvido falar sobre o que significava um “círculo de cultura” e de sua proposta. A professora iniciou apresentando o tema gerador a ser discutido com a turma “a mediação pedagógica da leitura”. Então, descobri que o “círculo de cultura” é como uma "roda" de conversa, semelhante a que fazemos com as crianças na Educação Infantil, assim, o tema foi abordado de forma descontraída com perguntas e respostas e todos puderam participar.
O clima estava descontraído, os alunos participativos começaram a expor as perguntas e com elas as dúvidas, e a mediação da professora aconteceu sempre que necessário para cada explicação.
A troca de experiência foi mágica e enriquecedora entre os alunos. O mundo da leitura é significativo quando o professor, como mediador incansável, se propõe à prática do ato de ler, dando oportunidade a um mundo de novos sentidos com seus vários significados.
Começaram a surgir os relatos de experiências dos alunos, nos seus respectivos trabalhos, na área Educacional, em relação à leitura e às mais diversas formas de atuação em sala com as crianças.
Perguntas surgiram, como a da Edna, quando ela questionou a professora que quando realizamos a apresentação de um livro para o aluno, se a criança conseguiria, na sua concepção, compreender o que é o narrador da história, e a professora respondeu que sim.
Como dizia Paulo Freire (1989), na sua compreensão crítica do ato de ler, que este não se esgota na decodificação pura da palavra. O ato de ler é uma prática incansável pelo entendimento do mundo e dos seus significados.
Não importando as mais diversas formas de praticar a leitura, temos o dever de inserir tal prática dentro das escolas, onde poderemos alcançar bons resultados com projetos possíveis de se trabalhar com as crianças o hábito da leitura dentro e fora da escola.
Para Paulo Freire (1989), todos possuem uma bagagem de conhecimento e vivência de mundo e palavras. Sendo assim, nós, como futuros educadores, devemos ter um olhar a mais para novos métodos, dando oportunidade para aulas mais prazerosas e dialógicas em que os alunos seriam participantes ativos com a mediação do professor, no que diz respeito a construir novas hipóteses e leitura de mundo.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Andréa da Silva (7º semestre Pedagogia PARFOR)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Círculo de cultura: troca de conhecimento em uma cultura interativa


O círculo de cultura realizado em sala de aula, no dia 30/03/2015, com as alunas da Pedagogia/Parfor, 7º semestre, coordenado pela professora Rosana Pontes, foi muito esclarecedor, com riqueza de detalhes, não deixando dúvidas de como proceder em sala de aula com os alunos, utilizando os princípios da pedagogia freireana. Foi problematizado o artigo “A mediação da leitura na Educação Infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras”. (SOUZA; SERAFIM, 2009)
Nessa dinâmica realizada em grupo, explica Paulo Freire na Pedagogia da Autonomia (1996, p. 47): “ ensinar é criar possibilidades para a produção de construção de novos pensamentos e reflexões, sobre o assunto que está em pauta”.
A intenção da professora Rosana Pontes na realização do círculo de cultura era que aumentássemos nossa compreensão sobre alfabetização e letramento, baseando-nos metodologicamente na teoria de Paulo Freire (1987), assim, o tema gerador de nossa discussão foi "a mediação pedagógica da leitura".
Durante a realização de nossas conversas, o grupo se manteve calmo, houve participação integral, de modo que todos dialogaram sobre o conteúdo apresentado.
No círculo de cultura, ocorreram perguntas ligadas às ações do Plano de Desenvolvimento da Educação PDE sobre aprendizado em leitura, que passou a ser reconhecido como direito, e a escola com obrigação de promover o exercício da cidadania, com referência ao ensino de língua Portuguesa. Essas concepções são complementadas pelo Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil.
Houve relatos em relação ao dia a dia das alunas em suas vivências diárias no âmbito escolar onde trabalham, citando dificuldades encontradas para um melhor desenvolvimento da leitura com os alunos, pautaram fatos culturais da comunidade que rodeia o mundo da criança. Soares (2003) enfatiza que os vários tipos e níveis de letramento variam de acordo com o contexto social do indivíduo e sua cultura.
O grupo interagiu também em relação às duvidas sobre estratégias de leituras, de como deve ser trabalhada a alfabetização em escolas Municipais que não são beneficiadas por livros enviados pelo MEC.
Enfatizou-se no círculo de cultura sobre a importância da criança ter ensinamento enciclopédico, isto é o que Freire (1987) chama de conhecimento do mundo. A criança aprende dentro do mundo é da cultura que vive, desta maneira justifica-se a contribuição freireana no processo de aprendizado, pautado por Freire (1989, p.11): "A leitura do mundo precede a leitura da palavra".
No artigo discutido, Souza e Serafim (2009) nos relatam sobre práticas pedagógicas que fazem parte do cotidiano da sala de aula de Educação infantil, práticas estas que auxiliam no processo de leitura dos alunos, estimulando seu desenvolvimento, direcionando-os no processo de alfabetização e de letramento, levando-os a serem alfabetizados e letrados. Neste caso, é essencial que o professor trabalhe com textos diversificados, como jornais, revistas, e, principalmente, de literatura infantil.
Segundo Paulo Freire (1987), o professor deve atuar como pesquisador, mediador e agente facilitador.
A ideia freireana de aprendizagem é de que, no ambiente escolar, todos se transformem em agentes de conhecimento, enaltecendo a importância do papel do professor de que, enquanto mediador, o dever de estar sempre estimulando, desenvolvendo a capacidade de imaginação do aluno, instigar sua curiosidade, através de práticas voltados para a sua interação com o outro e com o mundo.
O círculo de cultura enriqueceu meus conhecimentos em relação à prática e teoria, numa compreensão de que ambas caminham juntas. Assim, pude aprimorar meu conhecimento sobre leitura e escrita na compreensão do desenvolvimento infantil em diferentes fases e idades. Conclui Freire (1987, p. 98) que o círculo de cultura (que conhecemos como "roda" na Educação Infantil) é uma troca de relatos do nosso cotidiano, em que podemos aprender com os outros.


Referências bibliográficas:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Jovita Mendes dos Santos (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de Cultura: Ler é se libertar e viver


Este registro reflexivo refere-se à atividade didática denominada “Círculo de Cultura” (FREIRE, 1987), realizada em 30/03/2015, na aula da disciplina Conteúdo e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa.
A atividade proposta pela professora Rosana Pontes era que, antecipadamente, fizéssemos a leitura do texto “A mediação da leitura na Educação Infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras” (SOUZA; SERAFIM, 2009), e elaborássemos cinco questões, as quais seriam apresentadas no “círculo de cultura”. A classe foi organizada com um grupo no núcleo do círculo, responsável pela problematização do texto proposto; e outro grupo em volta (círculo de investigação) que ficou responsável pela observação e registro da atividade, destacando as falas dos alunos.
Nessa aula, fiz parte do núcleo, o círculo de cultura. Não sabíamos como começar, pois a aula estava sendo filmada. Começamos a falar dos pontos que achávamos importantes no texto e, enfim, as demais alunas fora do círculo faziam suas anotações. Isso me fez lembrar Madalena Freire (1996), que nos fala dos registros diários da nossa prática.
Algumas alunas fizeram relatos de suas trajetórias que, ao longo desta jornada na UNISANTOS, vêm se modificando, graças aos conhecimentos adquiridos. 
Um desses conhecimentos foi quando lemos um texto de Paulo Freire (1989) “A importância do ato de ler”, nele o autor fala da leitura de mundo, do conhecimento prévio que o aluno traz como bagagem e que pouco é usado na escola. 
O que pude notar durante a realização do círculo de cultura foi que, por mais que possamos ler para nossos alunos, nunca é ou será o suficiente, se nós, enquanto professores em formação, não tivermos o hábito leitor. Eu mesma sou uma pessoa que só leio quando necessário, para uma avaliação ou um trabalho. Não que eu não queira, mas não tenho tempo e, até mesmo para esses momentos, acabo lendo no ônibus ou nos 15 minutos de intervalo, portanto, fica muito difícil desenvolver o hábito de ler.
Durante a conversa no círculo, pude ver que não sou só nessa batalha com a leitura, mas outra coisa me chamou a atenção. Foi o relato de abandono dos livros em algumas escolas ou a falta de uma biblioteca nas escolas e aquelas que têm, os alunos não usam, por falta de um profissional responsável pela mesma.
Sabemos que o governo manda livros para as escolas e quando os procuramos, não encontramos nem a metade, e se encontramos, não estão à disposição dos alunos para que eles possam manuseá-los.
Durante as nossas conversas e indagações sobre a leitura, fiz um breve comentário sobre uma turma de 3º ano que estou auxiliando em sala de aula na leitura. Comecei pegando um por vez para saber quais as dificuldades de cada um, pude notar que, para que alguns desses alunos aprendessem a ler, eu teria que voltar e começar a resgatar o que deixaram lá trás. Mas a professora da turma me chamou e disse que só queria que eu dessa leitura em nível de 3º ano para a turma, mas alguns estavam em nível de primeiro. Segundo as autoras do texto discutido, Souza e Serafim (2009), devemos levar em conta a bagagem de conhecimento da criança, ou seja, o papel do conhecimento enciclopédico ou conhecimento do mundo da criança. Suas experiências nesse mundo letrado, sua compreensão do texto.
Quando verifiquei que os alunos do 3º ano que mencionei mal conseguiam ler os textos propostos, compreendo que teria que começar, vendo o que cada um tinha dificuldade e quais seus conhecimentos prévios. Assim, poderia, aos pouco, ir resgatando as fases de aprendizado que passaram despercebidas. Refletir sobre como chegaram ao 3ºano mal sabendo ler e interpretar um texto e de que forma poderia ajudá-los. 
No texto discutido no círculo de cultura, vimos que o Ministério da Educação ( MEC) se preocupa com o tipo de leitura a ser oferecida às crianças das redes públicas de todo o país. Entretanto, nem tudo que se lê para a criança ela pode entender, por isso é importante a mediação da leitura feita pela professora, conforme sugerem Souza e Serafim (2009). Comecei com uma leitura simples e, a cada parágrafo, eu perguntava ao aluno o que ele havia entendido e, quando não sabia, procurava explicar e, mais uma vez, e com ajuda da coordenadora, aos poucos, espero conseguir ajudar os alunos.
Pude perceber, durante esses momentos de diálogo, no círculo de cultura, que todas nós, futuras pedagogas, temos muito que fazer para ajudar os alunos. Adquirindo um hábito leitor, não de uma forma obrigatória, mas sim de prazer em ler, de ampliar novos horizontes.
Durante o círculo de cultura, algumas companheiras mostraram que já estão fazendo a diferença nas escolas, com leituras diárias e estimuladoras. Despertar o hábito de ler enquanto pequenos, de modo que a leitura seja discutida antes e depois do ato de ler.
Segundo Paulo Freire, “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Referências bibliográficas:

FREIRE, Madalena. Observação, registro e reflexão: Instrumentos Metodológicos I. 2ª ed. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Rosa Maria de Deus (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Círculo de Cultura 1: O poder da palavra mediado pelo conhecimento

Logo quando cheguei à universidade, a nossa sala de aula já estava com as cadeiras em círculo e alguns alunos em seus lugares. A todos que chegavam a professora entregava um texto para atividades na próxima aula.
Confesso que estava um pouco apreensiva, porque não sabia bem o que iria acontecer. Com base no texto “A mediação da Leitura na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras” (SOUZA; SERAFIM, 2009), a professora Rosana nos pediu na aula anterior para que todos lessem o texto, e a partir disso, cada aluno teria que elaborar cinco perguntas sobre o que não entendeu no texto.
Na aula seguinte, 30 de março, aconteceu o círculo de cultura (FREIRE, 1987) para discussão do texto. Aparentemente, todos pareciam calmos e assim foi dado início aos nossos trabalhos. 

A professora começou sendo a nossa mediadora e perguntou se alguém tinha alguma pergunta sobre a p. 19. A aluna Regina perguntou sobre o currículo na Educação Infantil, no que se refere à leitura, se existem diretrizes ou não (eu também tinha essa dúvida). O que ficou claro, para mim, é que vai depender da prefeitura. A aluna Daniela Taborda nos disse que, na prefeitura de Santos, existe um plano de curso e nele é avaliado o que está dentro do currículo e o que não está, mas o acesso aos livros ainda é restrito.
A partir disso, surgiu a pergunta se todos os alunos receberam esses livros em suas escolas, material tão importante e rico em conhecimento literário. A maioria respondeu que recebeu os livros em suas escolas e creches, mas ainda os alunos não têm acesso aos livros (inaceitável), e, para piorar, os profissionais da Educação contribuem para isso, como, por exemplo, vários livros irem parar no lixo. Onde trabalhei encontrei os três livros do Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil no lixo, perguntei para a Coordenadora e ela me disse que se eu quisesse, eu poderia pegar, mas do contrário iria para o lixo. 

Foi discutida no círculo de cultura a importância gestão, que, enquanto docentes, precisamos e dependemos dela. Assim, uma gestão bem preparada é um caminho para a mobilização de uma escola ou creche na direção da conscientização da importância desse acervo literário, tanto para a instituição, quanto para o aluno.
No círculo de cultura, pude refletir sobre a mediação pedagógica da leitura que realizo. Uma experiência que me mostrou isso, em sala de aula, foi quando eu ainda estava na creche e tive a ideia de trabalhar em sala (Maternal I e II) a Fábula “Os músicos de Bremen”. Contei a Fábula de várias formas, proporcionando momentos de prazer e muito aprendizado. Relembro aqui a minha vivência em sala de aula:
- Ler a fábula com o livro (nesse caso, não tinha acesso ao livro, então tirei as imagens da internet e confeccionei o livro).
- Contava a história interpretando-a com caras e bocas, com gestos e mudando a voz.
- Fantoches (às vezes com 1 fantoche, outras mais elaboradas com casinhas, etc.).
- Músicas do Saltimbancos (de Chico Buarque 1977).
- Reconto da história.
- Por último, ensaio para a apresentação de um teatro (eu narrava e as crianças faziam a cena).
Mas, infelizmente, por força maior (gestão incompetente), não apresentamos, o que me deixou muito triste e os alunos também. Mas, em sala de aula, falei que todos estavam de parabéns, comprei uns livros sobre a história e dei para cada um e todos ficaram satisfeitos. 

Confesso que tirei uma grande lição disso, para minha surpresa, todos entenderam e recontaram a história, pensei que fosse dar mais trabalho, fui surpreendida! Como foi falado no círculo de cultura, não entendi porque foi dito que as auxiliares fazem esse momento literário de uma forma “feia”, acredito que há vários tipos de profissionais e não podemos generalizar.
O que ficou marcado em minha memória foi o momento em que trabalhei as cores, e, no momento em que eu mostrei o desenho que eles iam pintar, o Danilo de 3 anos tirou de sua bolsinha os lápis da cor exata de cada animal, vendo isso, perguntei qual era a cor de cada animal, conforme estava no livro, e ele me respondeu olhando em meus olhos, as cores de cada um. Sendo assim, destaco a importância sobre essa atividade e o objetivo do trabalho: Compreender a importância dos animais; valorizar o vínculo da amizade; trabalhar os valores; interpretar a história lida; reproduzir a leitura de imagens; conhecer as cores, Autores e a música; interagir com o outro; estimular o uso do raciocínio da criança (quantidade, jogos etc.). 

Com base em Souza e Sarafim (2009), posso afirmar que essa atividade ajudou a enriquecer o vocabulário dos alunos, no processo de letramento, e mobilizou várias habilidades relacionadas à leitura. Também Madalena Freire (1996) fala da importância do registro escrito, da reflexão e concretização de seu pensamento que seja do desenho, no jogo e na construção da sua escrita. Com essa atividade que fiz na creche, pude perceber isso com os desenhos sobre a história. Alguns eram apenas rabiscos, mas quando eu perguntava o que era aquele rabisco ou quem eram, os alunos tinham as respostas na ponta da língua, uns me apresentavam todos os animais da história e outros incluíam seus animais de estimação, ainda escreviam o nome deles, como não dava para entender os rabiscos, eu registrava ao lado do desenho o relato de cada um.
Lendo, analisando e refletindo sobre os ensinamentos de Paulo Freire (1987), compreendo que os princípios de sua pedagogia contribuem para uma educação libertadora. O diálogo proporciona uma relação professor-aluno, o direito à palavra, o refletir e o agir, como diz no livro Pedagogia do Oprimido (1987, p. 50): “Neste lugar de encontro, não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais”.
A partir dessa atividade (Círculo de Cultura), percebi que fui uma importante mediadora para os meus alunos naquele momento. Gosto de ler histórias, contar, recontar, criar etc. Foi muito bom relembrar esse contato com os meus pequeninos e saber que fui uma peça importante para auxiliar o processo de leitura e potencializar o seu desenvolvimento rumo ao processo de alfabetização e letramento. A leitura nos proporciona oportunidade para a troca de experiências, saberes e aprendizado.


Referências bibliográficas:

FREIRE, Madalena. Observação, registro e reflexão: Instrumentos Metodológicos I. 2ª ed. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

SOUZA, Helen Danyane Soares Caetano de Souza; SERAFIM, Mônica de Souza. A mediação da LEITURA na educação infantil: onde a leitura de mundo precede a das palavras. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Ângela do Nascimento Oliveira Malaquias
(7º semestre Pedagogia/PARFOR)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Um teoria pedagógica: valiosas contribuições de Paulo Freire


Registro reflexivo do Círculo de Cultura, realizado em 13 de abril de 2015, referente ao texto Mediação: estratégia facilitadora da compreensão leitora, de Vera Aparecida de Lucas Freitas (2009).
O círculo de cultura, com base em Freire (1987), foi composto pelos alunos da Pedagogia/Parfor, 7º semestre. Todos estavam tranquilos, respeitavam a palavra do colega, os alunos que participaram do diálogo pareciam ter compreendido o assunto abordado. 
Observei que não foram todos os alunos que participaram desse diálogo, poucas dúvidas foram levantadas, tanto que era para serem elaboradas cinco questões por aluno nesse momento e poucos fizeram perguntas ou tiraram dúvidas. No entanto, pode ser devido ao fato de terem compreendido o texto e não terem dúvidas a serem expostas ou até mesmo que as dúvidas dos colegas eram as mesmas que as suas. Com isso, não havia necessidade de expô-las e repetir os mesmos questionamentos. 
A aluna Andrea relatou no círculo que, em uma escola onde fez estágio, não havia biblioteca, e que livros riquíssimos de autores consagrados ficavam em uma sala de vídeo, em um armário, todos empoeirados e prestes a desabar. E os materiais que chegavam do governo com livros bons ficavam no chão dentro de sacos, sendo que os professores não tinham acesso, muito menos os alunos. Percebe-se com essa postura da escola que ocorre uma falha na gestão que não poderia privar os alunos e professores de terem o direito de usufruírem dos livros, e até mesmo uma falha da supervisão de ensino do município, que não toma nenhuma providência em relação ao descaso com os livros na escola. 
Em seguida, surgiram outros relatos sobre o descaso das escolas com os livros, que, muitas vezes, encontram-se jogados ou trancados em salas sem serem utilizados, sendo esquecida sua importância e o direito da criança de usufruir de boa leitura. A escola tem a obrigação de propiciar às crianças o acesso a leitura. 
A aluna Ângela teve uma dúvida em relação à criança que foi colaboradora no protocolo de investigação na pesquisa relatada no texto em discussão, pois a autora Freitas (2009) enfatizou que Carolina era filha de jardineiro e empregada doméstica, então perguntou: caso fosse filha de pessoas de outra classe social a técnica de investigação seria diferente? Foi respondido no círculo que a técnica poderia ser a mesma, porém as observações realizadas acabariam sendo outras, pois a visão de mundo das pessoas são diferentes. A professora Rosana explicou que esse procedimento é a caracterização dos sujeitos envolvidos (quem são, como são, sua cultura) e que deve aparecer em pesquisas de campos. É uma maneira de contextualizar as pessoas envolvidas na pesquisa.
Segundo Freitas (2009), a mediação do professor é importante para orientar a leitura dos alunos em seus anos iniciais de escolarização, ter a interação do aluno com o texto e com o professor, serem interlocutores na leitura, servindo como mediador para auxiliar a compreensão da leitura, ampliando assim sua visão de mundo. O professor é um apoio para o aluno subir um degrau acima e progredir em seu desenvolvimento de leitura.
Foi relatado no círculo de cultura um exemplo de professor como apoio, a professora Rosana exemplificou que serviu de apoio/andaime para os alunos da sala de Pedagogia subirem em degraus mais altos na produção escrita, e que, em um determinado momento, será retirado esse andaime e as pessoas devem estar preparadas para caminhar sozinhas sem seu auxílio.
No texto, Freitas (2009) cita Vygotsky, no que se refere ao conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal. Temos nessa concepção a compreensão da zona do desenvolvimento real, condição em que a pessoa consegue realizar sozinha uma tarefa; e o desenvolvimento potencial, em que a pessoa não consegue realizar a tarefa sem auxilio de outra. Com isso, pode-se observar que a criança precisa interagir com o outro e com o ambiente social para internalizar conceitos e adquirir o aprendizado em seu processo de leitura. E o professor, assim como um colega, pode ser o mediador para o aluno prosseguir em seu processo de desenvolvimento e aprendizado.
Para Paulo Freire (1989) a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Ou seja, o aluno, ao ler um texto, recorre a sua vivência de mundo, aos seus conhecimentos prévios, para relacionar as informações que está lendo com o que conhece. Sendo que quanto mais tem informações do mundo, mais cria um repertório cultural que irá lhe auxiliar no momento da leitura e compreensão.
Freitas (2009) cita, ainda, as autoras Koch e Elias, ao destacar que, além do conhecimento de mundo para poder ler e compreender um texto, também é importante o conhecimento linguístico e o conhecimento interacional. Afinal, no momento da leitura, será importante ter um rico repertório de palavras e seu significado, para conseguir compreender o que está lendo.
Para Freitas (2009), a princípio, a decodificação faz parte da leitura da criança, é por meio dela que o aluno pode buscar seu significado e compreender sua leitura. A autora defende duas posições importantes para a leitura, primeiramente que é o vocabulário que leva a leitura, pois quanto maior o número de palavras conhecidas melhor a compreensão do texto lido; e que é a leitura que leva ao vocabulário, pois quanto mais tem acesso à leitura mais palavras aprendem e mais conhece o mundo.
Enfim, com os estudos a respeito dos princípios freirianos, pode-se dizer que eles são importantes para serem utilizados em todas as fases da educação do indivíduo em seu processo de ensino, porém destaco-os na Educação Infantil.
De acordo com o criador desses princípios, Paulo Freire, a leitura da criança vai além de saber ler e escrever, e sim saber realizar a leitura do mundo que a cerca, por meio de suas vivências e experiências, ter o conhecimento do mundo. Com isso, é fundamental oportunizar às crianças da Educação Infantil a troca de conhecimentos para ocorrer um enriquecimento de aprendizado, por meio da socialização e interação.
Portanto, esses princípios são utilizados de diferentes maneiras na Educação Infantil, por meio de círculos de cultura (que ocorrem com a nomenclatura de roda da conversa), diálogo, leitura de mundo (que eles fazem a todo o momento imitando e representando o mundo a sua volta), temas significativos, palavras geradoras (que são utilizadas, sendo uma das primeiras palavras o próprio nome da criança em atividades pedagógicas). 
Por fim, ressalto que Paulo Freire criou uma teoria pedagógica valiosa para o processo de aprendizado e desenvolvimento tanto do adulto quanto da criança.
Referências Bibliográficas:
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 17ª. ed. 1987.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

FREITAS, Vera Aparecida de Lucas. Mediação: estratégia facilitadora da compreensão LEITORA. In: RODRIGUES, Caroline; SILVA, Cláudia Heloísa Schmeiske da; LOPES, Iveuta Abreu; BERTONI-RICARDO, Stella Maris; MACHADO, Veruska Ribeiro. Leitura e Mediação Pedagógica. v. 30. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Série Estratégias de Ensino).

Ariellen de Araujo Gois (7º semestre Pedagogia PARFOR)