domingo, 22 de março de 2015

Aprendendo a ler e a escrever


Na nossa primeira aula de Conteúdos e Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa II, a professora nos surpreendeu com uma atividade inusitada. Solicitou que, em grupo, realizássemos a leitura de um texto, de modo que identificássemos o gênero textual e algumas informações do conteúdo, uma vez que o mesmo estava escrito em outra língua.
Durante o primeiro momento, tentamos decifrar em que idioma estava escrito, descobrimos que era alemão. Depois, analisamos o texto e começamos a procurar as palavras mais próximas do nosso idioma, a Língua Portuguesa, grifando-as. Gostamos do exercício, pois tivemos êxito na "leitura", conseguimos mais ou menos saber o que estava escrito e deciframos algumas palavras, mas ler não é somente decifrar e decodificar, para ler, realmente, precisaríamos compreender o texto todo.
De acordo com Paulo Freire, no texto “A importância do ator de ler”, ler é antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive. E, com essa atividade realizada em sala de aula, ficou claro esse pensar, pois, mesmo sem saber alemão, conseguimos decifrar o gênero textual – uma carta. Pela sua estrutura e formatação, conseguimos, de alguma forma, realizar uma leitura superficial.
Mesmo conseguindo estar inseridos na atividade para realizarmos a leitura e compreender, precisaríamos aprofundar-nos no idioma, e praticar a leitura diária, como aconteceu em nossa época de alfabetização e acontece no nosso dia a dia para aperfeiçoarmos nosso vocabulário.
É importante ressaltar a importância da prática de leitura na escola, pois na minha época de escola, a leitura era somente aquela da cartilha, em que se partia do treino da família silábica, montando e desmontando palavras, seguindo os modelos, formando outras palavras e, em seguida, a formação de frases curtas. Desse modo, não se construía nada, somente realizávamos cópia. Sobre esse aspecto, Paulo Freire nos explica que a alfabetização é um ato criador, no qual o educando apreende criticamente a necessidade de aprender a ler e a escrever, preparando-se para ser o agente dessa aprendizagem
Com base em Paulo Freire, podemos compreender que o professor precisa deixar de ler para o aluno e começar a ler junto com o aluno. Trazer para o dia a dia não somente as leituras que acha importante, mas levar em conta o que os alunos gostam de ler. Os alunos não devem somente ler por obrigação, mas temos que estimular a leitura pelo prazer, evitando que só leiam para fazer provas ou para fazer atividades impostas pelo professor.
Apoiada em Paulo Freire, posso afirmar que, por meio da leitura, formamos cidadãos críticos, capazes de tomar decisões, promovendo transformações no cotidiano.
Analisando a atividade de leitura e escrita da carta em alemão, compreendi que a intenção da atividade não foi somente sabermos em que língua estava o texto, tampouco o que estava ali escrito. A atividade ia além, a fim de fazer com que entendêssemos que o ato de ler ou escrever é refletir sobre nossas produções, e que há um aprendizado quando você escreve algo pela primeira vez e, conforme é solicitado para reler e reescrever, você vai conseguindo avaliar o quanto pode melhorar.
Escrever é uma atividade que vai construindo um saber, de acordo com Madalena Freire, quando escrevemos desenvolvemos nossa capacidade reflexiva sobre o que sabemos e o que ainda não dominamos. “Escrever, registrar, refletir não é fácil, dá muito medo, provoca dores e até pesadelo”, conforme enfatiza Madalena Freire.
E termino por aqui, dizendo que gostei da atividade, aprendi muito com ela, mas concordo com a citação que fiz de Madalena Freire.

Alessandra Bárbara Pontes (7º semestre Pedagogia PARFOR)

O cuidar que me levou ao Magistério: refletindo sobre minha leitura de mundo

A professora Rosana propôs, na primeira aula de Conteúdos e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, um desafio que surpreendeu a todos: interpretar um texto em outro idioma, algo não tão comum na nossa vida diária. Como fiz essa leitura em casa, minha visão foi unitária, mas pude usar do meu jeito curioso de ser para resolver aquele desafio. 
Quando iniciei a leitura dessa atividade, pude perceber que se tratava de um currículo para concorrência de uma vaga de trabalho. A princípio, fui tentando linha por linha decifrar algo, mesmo não compreendendo a língua que ali estava escrita.
Na primeira linha, visualizei e entendi que fosse o endereço do destinatário, seguindo o nome para quem o currículo estava sendo enviado aos cuidados, e dali em diante analisei que o candidato estava expondo toda sua trajetória profissional.
Li e reli umas três vezes e cheguei a essa conclusão acima, percebi que se tivesse um hábito de ler muito mais constante em minha vida, compreenderia mais coisas, mesmo estando em outro idioma. Após fazer essa minha observação, usei o computador como ferramenta para matar minha curiosidade e digitei tudo já com o tradutor ao lado, e me surpreendi quando vi que minha interpretação condizia com o que estava escrito após ter verificado com a tradução.
Penso que se fosse me dado o mesmo trabalho há trinta anos, quando cursava o fundamental, me sentiria acuada, com medo e sem muito a dizer sobre o desafio a minha frente, pois na minha infância e adolescência não tive privilégios e meus trabalhos eram feitos com consultas naquelas enciclopédias que minha mãe conseguiu comprar a muito custo, em várias prestações a pagar.
O desafio dessa leitura significa para mim muito por ter hoje a oportunidade de poder ler, escrever, interpretar, analisar, observar e conseguir decifrar alguma coisa. Concluir essa tarefa me fez uma pessoa melhor, sabendo que sou capaz de algo novo na minha vida, a partir de agora nunca mais irei me sentir incapaz, quero cada vez mais me desafiar.
Após ter feito a leitura do texto “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire, minha mente se abriu ainda mais para a atividade da “carta em alemão”, porque reviveu lembranças de minha vida, infância, sofrimentos e felicidades que só eu sei o que senti e passei.
Hoje, me vejo quase concluindo o ensino superior e, às vezes, sem acreditar que cheguei até aqui depois de tudo que passei. Quando criança, cresci em uma casa de madeira, onde o único lugar feito de tijolo era o quarto, a sala e a cozinha simples com frestas, por onde passava claridade e escuridão, quem quisesse podia até espiar que conseguiria ver nitidamente tudo lá dentro. O banheiro não existia e sim um quadrado, onde só cabia uma pessoa e um balde. O quintal onde morava era grande e tinha quatro casas, cada uma feita do seu jeito e condições que cada familiar podia, muitas árvores que me encantavam quando davam frutos deliciosos e eu podia degustá-los, sem contar também com galos, galinhas, pintinhos, patos e marrecos que me rodeavam quando eu brincava na terra. Era uma criança feliz, a caçula de três irmãos, esses mais velhos o menino 10 anos e a menina 8 anos. Essa irmã, desde essa idade, me cuidou com muito apreço. Minha mãe trabalhava e meu pai, com um trabalho mais flexível, administra esses irmãos em casa, mesmo sendo pai de coração deles, criou-os até a fase adulta.
Mesmo tendo nascido de um casal e família pobres, fui muito bem tratada e criada, sempre limpinha, bem penteada, alimentada e com toda a liberdade de brincar, minhas molecagem me deixaram algumas marcas, como sentar na beirada de um tanque no chão e não dar ouvidos ao papai quando falou: “você vai se machucar”. Instantes depois, o tanque virou do meu pé e, conclusão, dedão do pé esquerdo quebrado. Assim, fiquei até a chegada da mamãe do serviço, porque os assuntos mais cabeludos meu pai não resolvia. Em um outro momento de minha infância, uma tia que morava no mesmo quintal quis se desfazer de um colchão velho, mas antes de queimá-lo, porque naquela época era assim que se ficava livre de coisas que não se queria mais. Resolveu que a criançada poderia brincar, pular ali em cima, fiquei eufórica para me juntar aos demais, porém minha mãe disse que não era para eu ir, desobedeci e, no primeiro pulo, cortei minha perna esquerda com um vaso sanitário quebrado que ali estava escondido em meio a tanto mato. Levei bastante chinelada mesmo com a perna ensanguentada e assim fui levada por ela mesma para o Pronto Socorro que era bem próximo, ali fui atendida rápido, anestesiada e uma sutura bem feita que em quinze dias estava recuperada. Mas, enquanto me restabelecia, desfrutei de bastante mordomia, mais ainda das que já tinha. Sempre fui muito esperta, o bastante para observar o que acontecia ao redor.
Alguns fatos marcaram muito minha mente e até hoje lembro com tristeza. Meu irmão, quando se viu adolescente, quase homem, não aceitava o fato de ser criado por outro homem que escolhia trabalho. Trabalho esse que era no porto, por isso podia escolher quando queria ir. Esse meu irmão começou a tratar meu pai com indiferença, até surgirem as brigas, e eu pequena tinha que correr e chamar algum amigo ou primo para desapartar. Esse irmão parecia muito revoltado com a vida que ele crescera, mas eu era a única pessoa que ele tratava com muito amor e carinho. 
Como Paulo Freire cita que o chão de seu quintal foi sua lousa, o meu foi minha leitura de mundo, ali vi, ouvi coisas que não eram de grande valia para minha infância e outras que me serviriam para o futuro. O cuidar e a atenção que todos os meus familiares me davam, dentro do que lhes cabia, foi extremamente importante para o meu crescimento como pessoa.
Quando cheguei aos cinco anos, no Parque Infantil, como assim era chamado na minha época, era tímida, me sentia sozinha e chorava muito. Lembro que a minha sala era de cor vermelha e o nome da tia era Cláudia, era um amor, mas pouco comparecia, pois tinha grandes crises de bronquite e assim sempre tinha uma tia substituta diferente, olha que essa situação já acontecia em 1980. Nesse período ali, tive meus primeiros ensinamentos de coordenação motora, em que algo me colocava novamente entristecida, pois era canhota e eu me sentia diferente, mas superei. Também no parquinho conheci minha primeira amiga, pessoa que estimo até hoje e que também optou por ser educadora como eu. No ano seguinte, todos seriam encaminhados para uma escola da prefeitura, mais um baque: não sobrou vaga para mim.
Meu tio me deu a chance de ingressar no Colégio dos Estivadores de Santos, onde só filho de estivadores não era pagante e meu pai, nessa época, ainda não tinha adquirido essa carteira para que eu tivesse esse privilégio.
Bom, ali conheci tia Charleaux, senhora meiga, atenciosa, cariosa e dedicada ao que fazia, ensinar a ler e escrever. Era tudo organizado, mesa forrada com plástico quadriculado azul. Naquele momento, iniciava meu aprendizado de ler e escrever, um mundo novo que estava a minha frente para que eu o enfrentasse e me tornasse o que sou hoje, uma educadora em busca de mais aprendizado para que possa repassá-lo com êxito. Aprendi o BA BE BI BO BU da cartilha. O ensino era bastante rigoroso, mas com a visão de mundo de hoje, compreendo que fui ensinada a decorar o que me era passado. O meu medo de tirar nota vermelha era absurdo, não fiz uso de muita leitura paralela, ou seja, como explica Paulo Freire, a escola não fez a devida conexão com minha leitura de mundo. Isso hoje me faz muita falta, ao contrário de Paulo Freire, que conseguia fazer a leitura da palavra, do texto e do contexto. Neste período, minha irmã havia optado pelo curso de Magistério e eu sempre estava com ela, quando elaborava e confeccionava trabalhos, era também sempre usada como modelo para trabalhos, em que precisava da escrita e respostas de crianças da minha faixa etária. Assim, fui me identificando com a atenção com que se era dada à educação, pela minha irmã e sua turma.
Eis que, em 1990, ingressei no curso de Magistério, no conhecidíssimo Colégio Canadá. Os tempos já eram outros, mas dentro de mim tinha ficado a imagem de que educar, cuidar, ensinar era muito bom. Nesse período, pude aprender a ensinar, aprender a conviver com outras pessoas que nunca tinha visto, mas que tinham o mesmo ideal, como diz Madalena Freire, precisamos ter dentro da gente um pouco de artista, espectador, ouvinte, observador, usar muito do diálogo para que as informações sejam trocadas e suas ideias também aceitas.
Segui minha formação no Magistério, com êxito, porém levei oito anos para começar a pôr em prática tudo o que estava dentro de mim. Foi em fevereiro de 2000, que iniciei minhas funções de cuidar das crianças, em uma creche em Santos. Eram oitenta no total e eu e mais uma para dar banho, trocar, servir o lanche. Depois de seis meses, foi me dada a chance de ter uma sala de maternal, crianças com dois anos, que desafio! Ficaram as lembranças, mas se tivesse os registros comigo, como Madalena Freire cita hoje, seria possível eu estar levantando algumas questões que naquele tempo não tinha respostas imediatas e usava a imaginação para cumprir minhas obrigações, para com aquelas crianças e entregá-las como chegaram. Todo o dia tinha que anotar em um caderno como tinha sido o meu dia, se tinha dado conta da atividade proposta. Esses registros, no momento, foram importantes, mas não ficaram comigo, eram relatórios de uso interno na creche. Fiquei ali por quatro anos e, quando saí, era outra pessoa com propriedade no que estava fazendo e exercendo.
Segui minha caminhada, indo para o Município de Praia Grande. Cheguei confiante no meu trabalho que já vinha fazendo. Fui muito bem acolhida, as orientações já tinham suas diferenças, pois estava em outra cidade. Ali a diretora era bastante presente, coordenadora, e também uma assistente da Secretaria da Educação quinzenalmente estava lá para verificar o meu andamento. Eu gostava muito e sempre era bem elogiada, os registros também eram internos, o meu lado artista, crítico, e de refletir sobre as coisas ficaram na minha memória e não em linhas, como Madalena Freire coloca ser a melhor forma de evoluir em sua própria construção de educador. Ali exerci meus trabalhos por 8 anos. Parei, fiquei doente, após 3 anos, retornei já no município de São Vicente. Outra realidade, mas me propus enfrentar e assim o fiz durante 1 ano e 5 meses, fiz novas descobertas, com a mais marcante: um menino autista, uma deficiência que o deixava de canto e assim ele ali vivia, mesmo sem me oferecerem, peguei esse desafio para mim e nesse período o avanço dele foi notado por todos. E, quando me perguntaram, “você tem especialização em educação especial”, eu falei não. A vontade de cuidar vem de dentro, a busca do desconhecimento me instiga.
Bom, mas como tudo na vida passa, esse menino passou na minha vida e me deixou marcas que só eu sei, mas que sem orientações também não foram registradas. Vim para Santos, e agora em uma escola particular no ensino fundamental, Deus me coloca à prova mais uma vez, e eis que surge o Fernando um menino com paralisia cerebral, cadeirante, muito inteligente, mas com suas limitações motoras.
Sem experiência nenhuma, só a vontade no coração de ajudar aquele menino a conseguir alcançar a máximo que ele pudesse, mesmo que isso me deixasse na lona. E assim caminhamos durante 2 anos juntos e tenho certeza que marquei sua vida, mas ele marcou muito mais a minha, hoje somos amigos, a forma com que eu tinha que trabalhar com ele, eu mesma inventava, criava, e realizávamos tarefas que impressionavam, a dificuldade na fala que ele trazia consigo bloqueavam muitos que com eles já estavam há anos, mas, assim que nos conhecemos, não tive dúvidas, aquele menino iria fazer a diferença na minha vida.
E aqui eu cheguei, dividindo minha vida, tentando a cada dia ser melhor, e obter mais conhecimentos para que esse cuidar, esse ensinar, esse olhar possam enfrentar e derrubar barreiras.
Finalizo minhas reflexões, com a intenção de ter conectado a atividade de leitura da “carta em alemão” com minha leitura de mundo, conforme Paulo Freire, bem como exercitado o meu registro reflexivo, conforme Madalena Freire.

Gisele Aparecida Madureira (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Desvendando o desconhecido: uma aventura metodológica

Na nossa primeira aula de Conteúdos e Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa II, a professora nos surpreendeu com uma atividade inusitada. Esta atividade foi uma carta em alemão.
Ao iniciar a leitura do texto em alemão, a minha primeira reação foi de total desespero, por não ter o domínio da língua em que estava escrito. O que me levou a uma reflexão profunda, buscando a compreensão dos conteúdos escritos. Minhas colegas de grupo e eu procuramos desenvolver a atividade de acordo com nossas habilidades leitoras: analisamos e buscamos informações de todas formas possíveis
Coloquei-me no lugar dos meus alunos diante do novo, quando não sabem ler e escrever convencionalmente, quando apenas as imagens fazem parte de seus mundos, e quando a dificuldade de tentar desvendar o desconhecido pode levá-los a um sentimento de fracasso. Ao ler “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire, compreendi que “linguagem e realidade se prendem dinamicamente, um não existe sem o outro”.
Portanto, uma carta em alemão não faz parte da minha realidade, bem como textos escritos não fazem parte da realidade daqueles que ainda não sabem ler e escrever. Mesmo assim, ao tentar ler a carta em alemão, explorei a possibilidade que estava disponível, como o formato do papel, a forma como o texto estava organizado, analisando e buscando respostas. Citando Paulo Freire, “a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade daquela”, compreendi que as estratégias que utilizei para “ler” a carta faziam parte do meu conhecimento de mundo, ou seja, sabia que textos são escritos em papel, que o gênero textual era de uma carta, que a língua era o alemão.
Essa compreensão não se deu isoladamente, pois estava trabalhando em grupo e com a ajuda de outras pessoas fica muito mais fácil. Mais uma vez, Paulo Freire nos explica que ninguém ensina ninguém, mas aprendemos juntos, mediatizados pelo mundo.
Esta experiência remeteu-me a um período na minha infância, cuja sensação já tinha esquecido. Foi como se estivesse no primeiro ano da escola outra vez, quando eu não sabia ler e escrever, tentando decifrar aqueles códigos que meu cérebro ainda não sabia interpretar, da minha professora tentando me inserir no mundo da leitura e da escrita, dos meus colegas que dividiam comigo as mesmas inquietações da infância, dos amigos do bairro em que eu morava, das vezes em que junto com minhas três irmãs brincávamos no pequeno sítio dos meus pais. Isso me levou a um mundo de lembranças que ficaram muito tempo esquecidas em um lugarzinho guardado dentro de mim, e os sentimentos de medo, angústia, alegria e anseios afloraram diante do desconhecido.
Nas palavras de Paulo Freire, “os textos, as palavras e as letras, do mundo, do meu contexto”, ou seja, o autor fala da compreensão crítica da importância do ato de ler, constituído de uma curiosidade natural de decifrar o desconhecido, cuja interpretação depende totalmente de um conhecimento que parte das experiências e das palavras conhecidas antes de se aprender a ler e a escrever. Por isso, Paulo Freire defende que a alfabetização seja realizada por meio de palavras que tenham sentido para o aluno, escolhidas com cuidado pelo alfabetizador. Esse é o conceito de “palavra geradora”. A palavra geradora é uma palavra do universo do alfabetizando que, após ser discutida com seus colegas de classe, será utilizada para a iniciação à escrita.
Retomando o relato sobre o exercício de “ler” a carta em alemão, posso testemunhar, com base em Freire, que existe alegria em conseguir entender o texto, saber o que aquele amontoado de letras quer dizer, porque a leitura pode ser comparada com uma conversa da escrita com o leitor. Senti alegria quando compreendi o significado de algumas palavras da carta, quando fiz uma leitura, mesmo que superficial, e percebi que posso ser protagonista do meu conhecimento. Assim, pude entender que não é suficiente uma simples interpretação do texto, mas é preciso realizar uma leitura complexa.
Elaborando uma reflexão sobre a minha prática pedagógica atual e a necessidade de oferecer materiais diversificados para os alunos, para que analisem e reflitam sobre cada atividade, bem como realizem uma leitura prazerosa, de acordo com Paulo Freire, pude compreender que o conhecimento de mundo antecede a escrita, e quando o professor faz uma junção de todo o contexto em que o aluno está inserido, a escrita flui naturalmente. O aluno constrói uma ponte para seus conhecimentos, a partir de sua realidade, assim, o conhecimento se torna mais significativo. Conforme Paulo Freire, “a alfabetização é a criação ou montagem da expressão escrita da expressão oral”, por isso, é preciso dar oportunidade para o aluno se expressar, criar, imaginar, buscando algo que faça sentido para o seu desenvolvimento.
Contudo, ao analisar a atividade do texto em alemão, pude perceber com clareza a proposta que foi oferecida. A princípio, a atividade foi planejada para o desenvolvimento do pensamento reflexivo. Na tarefa 1, compreendi a necessidade do trabalho em grupo. A interação com o outro, conhecendo sua linha de pensamento, fez com que eu compreendesse melhor o texto.
Essa compreensão também foi possível devido à leitura do texto da Madalena Freire, em seu livro Observação, registro, reflexão. A autora nos fala que com “o trabalho em grupo coordenado por um educador, aprendemos a ler construindo novas hipóteses na interação com o outro. E, ao confrontar com as hipóteses dos outros, aprendemos a refletir”. Refletir sobre a nossa prática pedagógica levando a criar atividades que proporcionem maior interação dos alunos.
Devido a esse momento de interação em sala de aula, houve a oportunidade de entender o que estava escrito, portanto, pudemos criar uma compreensão juntos. Essa criação é necessária para um bom andamento das aulas, segundo a autora Madalena Freire, e é tão importante para o processo de ensino/aprendizagem que a autora relaciona com a essência da vida. Madalena Freire nos fala que esse momento faz parte da vida do educador, de que todos os dias ele lida com o imaginário dos alunos “assim como o próprio viver, o criar é um processo existencial”, buscando significados para a sua criação, adaptando-as para a sua realidade. Diante destas informações, há a necessidade de registrar estas criações, com o intuito de acompanhar o desenvolvimento dos alunos. É imprescindível que o professor aprenda a registrar reflexivamente suas atividades pedagógicas, porque, sem esses registros, parte desse processo ficaria comprometido. Nas palavras de Madalena Freire (1996, p. 06 ): "Este aprendizado do registro é o mais poderoso instrumento na construção da consciência pedagógica e política do educador, pois quando registramos tentamos guardar, prender fragmentos do tempo vivido que nos é significativo, para mantê-lo vivo".
A partir da reflexão que realizei sobre a atividade com a carta em alemão, com base nas leituras de Paulo Freire e Madalena Freire, compreendi que uma simples atividade que a professora prepara precisa estar embasada pedagogicamente e possuir aspectos didático-metodológicos sugeridos por autores e teóricos da educação. Assim, pude observar que as teorias que podem embasar esta atividade são:
· Sociointeracismo – porque foi dada a oportunidade de criação do aluno, interagindo com o grupo, discutindo sobre o que poderia ser aquela atividade, os alunos construíram seus conhecimentos, a partir do material que puderam desvendar com suas habilidades de leitura.
· Gêneros textuais – porque o texto foi uma carta, que embora tenha sido escrita na língua alemã, era um gênero de fácil identificação pelo grupo e isso ajudou no exercício de leitura. Também foi solicitada uma “síntese reflexiva” como produção textual e isso foi um desafio para todos nós, promovendo uma nova aprendizagem do que é "síntese" e do que é "reflexiva".
· Letramento – porque foi feita uma reflexão sobre a leitura e a escrita para, com isso, entendermos do que se tratava a atividade e nos levarmos a uma melhor compreensão do texto, bem como avançamos em nosso nível de letramento, no que se refere à leitura e ao diálogo com os textos científicos de Paulo Freire e de Madalena Freire.
A proposta desta atividade se justifica diante da necessidade de formar educadores capazes de refletir sobre o que leem, de modo que haja um diálogo com o texto.
Ao me deparar com esta aventura de desvendar o desconhecido, e, através deste desconhecido, eu aprendi a ler, mas não uma leitura convencional e sim uma leitura com olhos da alma, por meio dos quais eu pude enxergar a leitura mais pura do ser humano, aquela que já tinha esquecido, aquela que fez aflorar a alegria. Quando consegui juntar as palavras, sentir aquelas emoções contidas diante do novo, que no caso foi uma carta em alemão, cuja linguagem não pertence ao meu convívio social, compreendi que existem meios diferentes de entender o texto, possibilitando várias interpretações e como nós educadores devemos elaborar nossas aulas, com uma visão apurada diante da necessidade dos alunos das escolas atuais.
Este processo é uma verdadeira aventura metodológica, na qual aprendemos a desempenhar melhor nossas aulas, buscando conceitos e analisando a diversidade plural existente em nossa cultura, de modo que contribuam para um desenvolvimento integral do indivíduo, tendo a consciência do quanto é importante para o educador esta troca de conhecimento. Embora compartilhemos a mesma língua, pertençamos a mesma nação, somos diferentes em nossas crenças, em nossas religiões, nossos gostos. Estas diferenças são o que nos tornam seres únicos diante da sociedade.

Claudenice Gomes (7º semestre de Pedagogia PARFOR)

Sentindo na pele a leitura e a escrita

Na nossa primeira aula de Conteúdo e Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa II, a professora Rosana nos propôs uma atividade intrigante.
Ao receber o texto, me senti surpreendida, por me deparar com uma página escrita com palavras desconhecidas do meu vocabulário e do meu idioma.
Então, com um olhar mais atento e com a ajuda do grupo, começamos a identificar o tipo de estrutura do texto, decifrar algumas palavras-chave e logo concluímos que se tratava de um texto em alemão, de uma carta comercial, envolvendo transporte internacional, ou uma solicitação de emprego, ou algo do gênero.
Aprofundando reflexões, a partir da atividade com a carta em alemão, e após leitura do texto “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire, pude compreender que, embora eu desconheça o idioma apresentado, com a vivência adquirida, leitura de mundo, me foi possível identificar algumas semelhanças com palavras já lidas em textos, cartazes ou propagandas. Segundo Paulo Freire: “A leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior desta, não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente”.
Portanto, conseguimos “ler” a carta superficialmente, mas não conseguimos lê-la profundamente, pois a leitura de textos escritos também envolve o conhecimento da língua, das regras gramaticais, dos vocábulos e palavras, porém tivemos condições de identificar tipos gráficos já vistos anteriormente em nossas vivências e, a partir daí, chegarmos a algumas conclusões.
No texto lido em sala, observamos que Paulo Freire faz uma viagem a sua infância e a suas experiências com a leitura, “como se eu estivesse fazendo a arqueologia da minha compreensão do complexo ato de ler, ao longo de minha experiência existencial”.
Foi muito importante a contribuição desse texto para percebermos que o ato de ler vai muito além de sabermos decodificar a língua e a compreensão das regras gramaticais. Para Paulo Freire, o importante é “uma leitura anterior de mundo, antes da leitura da palavra”.
Após a leitura o texto de Madalena Freire, a Introdução de “Observação, registro e reflexão: Instrumentos Metodológicos I”, percebi a importância de termos feito esse trabalho em grupo, pois a troca de ideias e experiências de cada um se somou na busca de resultados, como a autora afirma: “Aprendemos a pensar junto com o outro, aprendemos a ler, construindo novas hipóteses na interação com o outro. Aprendemos a escrever organizando nossas hipóteses no confronto com as hipóteses do outro. A ação, a interação e a troca movem o processo de aprendizagem”.
E a importância de buscarmos nossas memórias e histórias de vida fica clara na afirmação de Madalena: “Não formaremos sujeitos leitores, nem tão pouco escritores, alienados de sua história. História que é apropriada pelo resgate de suas lembranças. O resgate desse mundo de lembranças, às vezes pode parecer tão longínquo, mas nos acompanha de perto em nosso cotidiano”.
Após várias etapas da atividade proposta pela professora Rosana, e com a aquisição de novos conhecimentos através da apostila “Um decálogo para ensinar a escrever”, de Auguste Pasquier y Joaquim Doiz, pude perceber um pouco do caminho traçado por ela, para que nós percorrêssemos pouco a pouco, alinhavando um texto coerente e mais complexo.
Acredito que através do trabalho inicial em grupo, pudemos socializar e compartilhar dúvidas e conhecimentos, e a partir daí, num trabalho individual de revisão, releitura e novas aprendizagens referentes ao tema, aos poucos, a “cegueira” que acomete os alunos, de acordo com Pasquier e Dolz, foi se dissipando e com distanciamento, entre um resultado e outro, e mediação da professora Rosana, os resultados foram aparecendo e o trabalho pôde ter um crescimento diferente da mera correção e troca de palavras.
Não esquecendo o primeiro sentimento de estranheza que senti, ao receber o texto, ressalto aqui um dos resultados, para mim, mais marcantes desta atividade e que nunca tinha pensado sobre tal sentimento, que é o de como uma pessoa, criança ou adulto, que ainda não sabe ler se sente, ao receber um texto, diante de outras pessoas, talvez já letradas, e ela frustrada e impotente em decifrar o que tem diante dos olhos.
Portanto, “sentir na pele” essa experiência foi importante, agora terei mais cuidado e reservarei um olhar mais compreensivo diante dos alunos em fase de alfabetização, pois, embora não dominem a língua escrita, têm muita bagagem e leitura de mundo o que tornam enriquecedor todo o processo.


Lidia Ventura Regis (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Como você se sente em uma situação de leitura que não domina?


Essa pergunta me remete a uma situação por qual passei. Há três ou quatro anos, me inscrevi para fazer aulas de música no Conservatório Municipal de Cubatão. O curso era para participar do coral e também aprender as notas musicais, por meio da teoria e também da prática, usando um instrumento, no caso a flauta doce, para que pudéssemos aprender e diferenciar as notas.
No início, pensei que fosse simples, os professores eram capacitados e pacientes para ensinar, mas do que mais me recordo foi a dificuldade que senti quando os estudos chegaram na parte da escrita e leitura das notas musicais. 
Nossos estudos eram bem intensos e aplicados, mas devo confessar que os duzentos dias letivos que passei pelo Conservatório não foram suficientes para que eu pudesse aprender essa nova forma de escrever e ler que me apresentaram. Em muitos momentos, coloquei-me no lugar dos pequenos que estão iniciando na alfabetização: o quanto é difícil e penoso essa iniciação.
Fazendo a comparação dessa experiência com a atividade “carta em alemão”, que realizamos na aula de Conteúdos e Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa, posso dizer que ler é imprescindível para comunicação. E, ao tentar ler o que está escrito em outra língua, precisei elaborar algumas estratégias para decifrar o que estava escrito, como tentar identificar algumas palavras conhecidas ou que tivesse a pronúncia mais fácil, mas não encontrei. O desconhecimento da língua dificultou para que eu pudesse fazer uma leitura compreensiva. Ler é acionar estratégias de um conhecimento prévio, como por exemplo, diferenciar os vários tipos de gêneros textuais que existem dentre eles estão: romance, conto, artigo de opinião, receita culinária, listas de compras, carta, que é o gênero do texto do nosso exercício e também o tipo de língua usada que, no caso, é o alemão.
Exige-se para diferenciar gêneros textuais e para concluir uma leitura compreensiva o domínio da língua e suas funcionalidades, mas, para que haja de fato uma real compreensão, são necessários além desta, a interação com o outro.
Vigotski propõe uma situação de ensino/aprendizagem em que o indivíduo aprende por meio de sua inserção na sociedade, da sua interação com outros indivíduos. O contexto social é o lugar onde se dá a construção do conhecimento mediado. (Knoow.net, 2009)
A partir dessas experiências com as aulas no Conservatório e a carta escrita em alemão, respondo a pergunta feita anteriormente, e posso relatar que a sensação de não ter domínio de uma situação de leitura, que não domino, é de total impotência e insegurança.
Para aprofundarmos nossas reflexões, a partir da atividade com a “carta em alemão”, nos foi apresentado o texto “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire. Após a leitura, foi possível compreender que “(...) a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra(...)”. O texto de Paulo Freire me fez refletir e ter consciência sobre o quanto é importante e relevante os conhecimentos que trazemos conosco.
Percebo a verdade que existe nessas palavras, quando me reporto à minha infância e ao início da minha alfabetização, no sentido da escrita e da leitura. O que mais consigo lembrar são os momentos em que vivi livre descobrindo o mundo, explorando o quintal da casa dos meus avós, subindo no pé de pitanga, ainda hoje consigo reconhecer suas folhas, seus galhos, seu porte franzino, mas que, ao florir e com a chegada de seus frutos, enche nossos olhos e paladar de sensações boas. Dos pés de goiabeiras, que eram vários, me possibilitando escolher qual fruto pegar primeiro, da agilidade que adquiri ao subir nessas árvores, que até hoje aos 51 anos de idade consigo subir. Descobri que é como andar de bicicleta, a gente nunca esquece!
Lembro-me do mundo que explorei ao redor da minha casa, subindo em muros, passeando por cima deles, atravessando de uma quadra a outra, das brincadeiras inventadas, das horas que passava deitada no muro e observava as nuvens dando formas e nomes, do tempo que passava cocorada na janela para ver as pessoas que passavam e cumprimentá-las e, por muitas vezes, fiz até minhas refeições, para não perder ninguém de vista. Dos momentos das leituras dos gibis, dos recortes das imagens, das escolhas das maiores, das mais bonitas, das brincadeiras de casinha, das tentativas em confeccionar as roupinhas de boneca no quintal da casa da minha amiga Bil, que tinha esse apelido por que não gostava do seu nome, e que depois de nós duas crescidas nos distanciamos e tomamos rumos diferentes em nossas vidas.
As lembranças que tenho da minha infância são preciosas e valorosas. E a reflexão, a partir do texto “A importância do ato de ler”, de Paulo Freire, me fez enxergar o quanto já tinha de conhecimento de mundo quando iniciei minha alfabetização. Infelizmente, não me recordo de nenhum momento desse início de vida escolar, a não ser que usávamos a cartilha "Caminho Suave", mas do contato mais direto com o professor, explorando esses conhecimentos prévios, desse eu não lembro. “(...) Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele(...)”, Paulo Freire (1983).
Ao pensar o exercício que estamos realizando, a partir da carta em alemão, e com a leitura de Madalena Freire, “Observação, registro e reflexão”, avalio como leitura e escrita são indissociáveis. Paulo Freire mostra-nos, poeticamente, a importância do ato de ler, levando em consideração o conhecimento de mundo e reconta-o através de experiências vividas. Madalena Freire nos mostra a importância do registro como instrumento na construção da consciência pedagógica e política do educador, e que nosso olhar precisa vir carregado de significados, realidade, interpretações, como sendo este nosso maior desafio.
Em ambos os casos, os autores falam da interação com o outro (sociointeracionismo) e da construção do conhecimento (construtivismo), das lembranças que quando resgatadas ganham status de memória e essa, por sua vez, alicerça a consciência histórica, política e pedagógica do sujeito, da transformação que esse sujeito alcança quando faz uso da leitura e da escrita. Madalena Freire enfatiza que, ao registrar, deixamos nossa marca no mundo, que o ato de escrever desenvolve a capacidade reflexiva sobre o que se sabe e o que ainda não se domina. Ao escrever, formulamos perguntas, levantamos hipóteses, o que significa abrir-nos para um processo de aprendizagem.

"Pela concepção construtivista, o professor deve criar contextos, conceber ações e desafiar os alunos para que a aprendizagem ocorra. O conhecimento não é incorporado diretamente pelo sujeito: pressupõe uma atividade, por parte de quem aprende, que organize e integre os novos conhecimentos aos já existentes”.
Publicado em NOVA ESCOLA Edição 237, NOVEMBRO 2010. Título original: Três ideias sobre a aprendizagem.

Edna de Araújo Nascimento Cirqueira
(7° semestre Pedagogia PARFOR)  

Construção de conhecimento



Ao me deparar com o texto escrito em alemão, língua que desconheço, senti-me incapaz de decifrar as informações ali escritas. Essa atividade me trouxe recordações de quando na infância me deparava com materiais escritos, tais quais: livros, jornais, revistas, receitas, etc. E, ficava tentando desvendar o que ali estava escrito.
Quando havia ilustração, a “leitura” era menos complicada, porque fazia a “leitura” utilizando como fonte de informação as ilustrações, porém, quando não havia, era complicado, costumava pedir ajuda a outras pessoas.
Há mais de vinte anos, época na qual fui alfabetizada, a metodologia para alfabetizar era restrita e seguia uma sequência: primeiro decorávamos as vogais, em seguida consoantes, famílias silábicas, palavras e, por fim, pequenos textos. O método funcionava, afinal muitas pessoas aprenderam a ler e escrever desta maneira, no entanto, poucas sentiam prazer ao ler e escrever, era um ato mecânico de codificação e decodificação de palavras, algumas com significados desconhecidos e fora de contexto.
Atualmente, o processo de alfabetização é visto de outra forma, o educando é colocado como protagonista do processo e não como um mero participante. Busca-se uma maneira de contextualizar as experiências do educando às vivências em sala de aula e, principalmente, às situações reais de uso social da língua. Compreende-se que as práticas de leitura e escrita devem fazer parte da rotina escolar desde a Educação Infantil.
Segundo Paulo Freire (1989), a leitura de mundo antecede a leitura da palavra, portanto considerar as vivências do aluno é imprescindível, para formação de leitores competentes. Com base no autor, considero a leitura um ato libertador, revelador, aprender a ler é como retirar uma venda dos olhos, sendo assim, a leitura não pode ficar restrita à decodificação de palavras, deve estar inserida em um contexto que estimule a reflexão.
Em consonância com Paulo Freire, considero que o ato de ler implica sempre percepção crítica, interpretação e re-escrita do lido. Para o ato de ler acontecer em sua plenitude é necessário que o processo de Alfabetização esteja inserido no contexto do alfabetizando, seja atraente e prazeroso, só assim poderá desperta o prazer pela leitura e consequentemente pela escrita.
“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. Essa frase de Paulo Freire sintetiza meu pensamento com relação ao processo de alfabetização, pois cabe ao educador transformar o ato de ler em algo prazeroso e libertador ou em um simples ato de decodificar palavras.
De acordo com Madalena Freire, “Não fomos educados para olhar pensando o mundo, a realidade, nós mesmos”. Aprendi ler e escrever no modelo tradicional, fragmentado e descontextualizado que tinha como ponto de partida o ensino das vogais, conforme citado anteriormente, com este padrão de ensino aprendi a decodificar as palavras, porém não despertei para o prazer da leitura, tampouco o interesse pelo mundo literário.
Em função da minha profissão, professora de Educação Infantil, vivo uma constante busca por conhecimento, e esta busca não pode se dar longe da leitura, pelo contrário, a leitura é uma ferramenta imprescindível para obter-se conhecimento. Iniciei a realização de leituras por necessidade, no entanto, ao longo do tempo fui despertando o prazer e atualmente a leitura está presente em todos os momentos, inclusive a leitura de fruição.
Já que os modelos atuais de alfabetização envolvem uma dinâmica muito diferente e priorizam o trabalho com práticas de leitura desde a Educação Infantil, iniciando pelo nome do aluno e estabelecendo conexões com seu repertório de vivências sociais, culturais e familiares, tenho como preocupação central em meus planos de aula desenvolver estratégias para transformar meus alunos em leitores competentes, reflexivos e principalmente conhecedores da importância da leitura para a vida.
No meu planejamento, reservo um lugar de destaque para práticas de leitura, roda de leitura e manuseio de diferentes gêneros textuais, tais como: jornal, receitas, livros, gibis, etc., quanto maior for a variedade de textos trabalhados, maior será a possibilidade de despertar nas crianças o prazer de ler, costumo dizer que, por meio da leitura, podemos “viajar” sem sair do lugar. A leitura está atrelada à escrita, quando se enriquece o repertório de leitura do aluno o processo de escrita torna-se menos complexo e mais prazeroso.
Este texto é resultado de uma atividade da disciplina de Conteúdo e Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, do curso de Pedagogia, que envolveu algumas etapas que exigiram atenção, participação, reflexão, leitura, escrita e re-escrita, dentre outras competências que devem permear a prática pedagógica.
Analisando a referida atividade do ponto de vista pedagógico e didático foi uma atividade embasada na teoria sociointeracionista, quando em sua primeira etapa, ler o texto em alemão, promoveu a interação do grupo classe na busca do significado do texto.
Teve base construtivista quando propôs a escrita da experiência de tentar decifrar as informações contidas no referido texto, a reflexão e re-escrita, estabelecendo conexão com o texto do Paulo Freire “A importância do ato de ler”, e, por fim, quando tivemos que ler textos de Madalena Freire e revisar o nosso texto, considerando a importância do registro na rotina do professor.
Do ponto de vista metodológico, foi um processo de busca e construção de conhecimentos e pode ser facilmente aplicado, com algumas adequações, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. As etapas a serem seguidas promoveu a reflexão, revisão e interação, este processo de ir e vir, ver e rever, escrever e re-escrever contribui significativamente para a aprendizagem.
Esse processo de construção me remete às palavras de Madalena Freire, quando a autora fala da importância do registro escrito, se não tivesse feito o registro de todas as etapas do processo, como poderia analisá-lo em sua totalidade? Certamente, muitas informações importantes teriam sido esquecidas.
Segundo Madalena Freire, a observação é um instrumento que deve permear todo o processo de ensino, no entanto se não houver o registro escrito perde sua funcionalidade. “A escrita materializa dá concretude ao pensamento, dando condições assim de voltar ao passado, enquanto se está construindo a marca do presente” (FREIRE, 1996, p. 23).
O registro permite a análise da situação, a autoanálise, como mediador e, por meio da reflexão, a busca de estratégias que atendam às necessidades observadas. “Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim apreendê-lo; transformá-lo; construindo o conhecimento antes ignorado” (FREIRE, 1996, p. 23-4).

Referências bibliográficas
FREIRE, Madalena. Observação, registro e reflexão: Instrumentos Metodológicos I. 2ª ed. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 1989.

Sivaneide Pereira Vieira (7º semestre Pedagogia PARFOR)

Colação de grau da 4ª turma do PARFOR

Este foi mais um momento de glória. 
Felizes e realizadas, as alunas da quarta turma de Pedagogia PARFOR, na UNISANTOS, fizeram seu juramento de comprometimento com a profissão em 21 de janeiro de 2015.
Desejamos a todas muito sucesso e realização neste ofício tão nobre e essencial para a nossa sociedade.
Às professoras pedagogas recém-formadas, nosso imenso carinho.